Por Raiza Oliveira – @ra_iza

Prezado Pedro Rocha, Sr. Virgílio ou apenas Verdugo – como preferir. Gostaria de homenageá-lo com algumas palavras, espero que isso possa chegar até você ou pelo menos até os que te admiram tanto quanto eu.
Tenho 21 anos, completados hoje, e infelizmente não pude te ver jogar. Já lamentei diversas vezes por isso ao ver vídeos, reportagens e depoimentos sobre você enquanto jogador, principalmente vestindo a mesma camisa que eu nesse exato momento. Seu jeito de jogar era totalmente diferente de muitos outros da época porque você não jogava por jogar, mas impunha sobre a ponta das suas chuteiras uma garra intransponível, característica do seu país. Estou dizendo isso confiando piamente no depoimento ao jornalista Menon de ninguém menos que seu conterrâneo e companheiro de clube, Pablo Forlán, que jamais mentiria a seu respeito.
“É o maior jogador uruguaio dos últimos 50 anos. Vou dizer como ele jogava:
1 – Caminhava com a bola, pelo meio, e lançava o centroavante, continuando a correr. Quando recebia a bola, tinha facilidade em marcar;
2 – Tocava para um dos pontas e corria para a área. A defesa se preocupava com o centroavante e era ele quem cabeceava;
3 – Quando não havia a possibilidade do passe, ele segurava a bola, chegava perto e chutava muito forte, de 30 metros de distancia. De esquerda ou de direita, como no final da Copa América de 67, quando fomos campeões;
4 – Se o ponta esquerda sofria uma falta, Rocha cobrava com o pé direito no canto esquerdo do goleiro.”
Foram 113 gols em 375 jogos com o manto Tricolor. Um verdadeiro gigante. Já até falei sobre você aqui
 Para mim, é mágico imaginar como era.  E é bom saber que você ainda está entre nós, um ícone que honrou as três cores mais importantes do mundo. Mas o tempo é implacável, e independente dele, existem coisas que não se pode fugir. O único zagueiro que você não conseguiu escapar e não temeu o  grande Verdugo foi a atrofia do mesaencéfalo. Irreversível. Mas enquanto suspiras e luta, lutaremos por ti.
Seu filho, Gonçalo, fez o primeiro pedido, um coro que será engrossado aqui:
 “O São Paulo poderia fazer um jogo de despedida para meu pai. Reunir velhos amigos, fazer uma festa para ele ser lembrado uma vez mais. É bom ser lembrado em vida e não depois”
Que seja feito um jogo, com direito a Morumbi lotado, em sua homenagem. Que possamos doar nosso suor, nosso tempo, por sua vida e sua luta até este dia presente. Que tudo o que você passou para brilhar no Maior do Mundo seja recompensado com mais de 60 mil sorrisos na casa que eternamente também será sua. Muito obrigada por escolher o São Paulo. E que você veja isso acontecer.
 Obrigada por não desistir. Lute até o fim. Você sim, é um guerreiro.
Cordial e carinhosamente,
Raiza Oliveira.
#VAILÁDECORAÇÃO
Assine a petição para a realização breve do jogo por um dos clubes. Ele merece isso em vida: