Saudações tricolores!

Hoje falarei um pouco de um célebre jogador tricolor, ídolo do clube, que passou por aqui sendo 5 vezes Campeão Paulista: Leônidas da Silva.

Homenagem a Leônidas da Silva e a jogada criada por ele, no Museu do SPFC

Leônidas era carioca e passou por vários clubes antes de chegar ao Tricolor, dentre eles Botafogo, Vasco, Peñarol (Uruguai) e Flamengo. Desembarcou no SPFC em 1942. Foi pentacampeão Paulista. Abandonou os gramados em 1951, mas continuou ligado ao mundo esportivo, assumindo a função de assistente técnico de Vicente Feola e também foi comentarista esportivo. Sofreu do Mal de Alzheimer e faleceu em 2004 devido à doença e seu tratamento foi custeado pelo próprio SPFC. 
Leônidas ganhou o apelido de Diamante Negro, dado pelos Uruguaios e Homem Borracha, dado pelos franceses, quando disputou o Mundial de 1934, terminando com um honroso terceiro lugar. Mas em seu auge, não teve a chance de mostrar sua qualidade técnica ao mundo. 
Leônidas não chegou a aparecer em uma Copa do Mundo, pois quando estava em seu auge, os mundiais de 1942 e 1946 foram cancelados em virtude da Segunda Guerra Mundial. Jogadores como ele, Heleno de Freitas (Botafogo) nunca tiveram a chance de disputar uma Copa do Mundo quando estavam em seu auge. Este fato é bastante citado no recente filme Heleno, no qual Rodrigo Santoro interpreta o jogador botafoguense. 
A história de Leônidas é tão fantástica e, infelizmente, não há tantos registros pois na época os jogos não eram televisionados. Ou seja, a mídia que há hoje envolvendo jogadores não existia na época. Não eram feitas longas reportagens, com milhares de fotos, só reportagens em uma página no jornal, com uma ou duas fotos. Mas alguns fatos são de conhecimento público: de acordo com a revista Placar, em 1941 descobriu-se que Leônidas falsificou seu documento militar, sendo preso por isso 8 meses no quartel de Realengo, no RJ. Aos 29 anos, se transferiu para o SPFC. Foi a transação mais cara do futebol sul-americano na época. O valor alto da transação na época (200 contos de réis) serviu para a imprensa criticar muito jogador e clube (por que não me surpreendo com isso…Parece que sempre a imprensa critica, critica e acaba depois vendo a resposta em campo….). Com Leônidas não foi diferente: ele ganhou o ‘apelido’ pejorativo da imprensa de ‘Bonde de 200 contos’. Deu a resposta em campo. Cerca de 20 mil torcedores foram recepcioná-lo na Estação do Brás. Estreiou contra o rival Corinthians em 1942, com recorde de público no Pacaembu: mais de 72 mil torcedores. Foi campeão Paulista pelo SPFC em 1943, 1945, 1946, 1948 e 1949. 

Muitos acham que Leônidas da Silva foi o grande craque brasileiro antes de Pelé, que só apareceu nos anos 50. Outros acham que ele foi até superior, mas não é tão lembrado pois em sua época não havia vídeos dos jogos. O fato é que Leônidas foi tão marcante em cada clube que passou (sobretudo no próprio SPFC), que mesmo sem muitos registros, seus feitos ainda são dignos de nota.

Thaís Cachuté Paradella