Em um jogo da rodada do Campeonato Brasileiro nesse final de semana, o que chamou mais atenção não foi o embate travado pelos times, mas sim a reação da torcida do Coritiba com uma jovem torcedora que pediu a camisa do jogador Lucas, do São Paulo.  A indignação da torcida com a atitude da menina gerou um grande furdúncio, a ponto da jovem e seu pai precisarem do apoio de seguranças para apaziguar a situação. Após findar-se a confusão, alguns torcedores ainda levaram isso mais pra frente e a jovem continua recebendo ameaças pela internet. 
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Pimenta (2000) afirma que a violência ao redor do futebol não é acontecimento novo e há exemplos na história do futebol brasileiro e mundial de atos de extrema violência entre torcedores. O que o autor considera inédito é o movimento social de jovens em torno de uma organização que difunde novas dimensões culturais e simbólicas no cotidiano urbano, amoldando o comportamento dos inscritos, em outras palavras, as torcidas organizadas.
Existe um dado referente à uma pesquisa realizada com torcidas organizadas do Brasil que aponta que quanto mais sensacionalista o efeito da violência gerado pela torcida, mais ela ganha força e aumenta-se o número de seguidores. É como se houvesse um “efeito rebote”, ocorre o episódio violento, a mídia repudia, e tudo isso se resulta no aumento de torcedores que querem seguir esse sistema, essa “filosofia da violência”.
Infelizmente, os estádios em determinados jogos representam uma verdadeira ameaça àqueles que só querem vibrar com seu time e celebrar em família esse momento. Muito desse perigo se deve ao que Pimenta (2000) chama de “espetacularização da torcida”.
O “torcedor organizado”, não é mais um mero espectador do “jogo”. No grupo ele é parte do espetáculo, ele é o espetáculo. No grupo ele expressa sua masculinidade, seus sentimentos de solidariedade, de companheirismo e de pertencimento em um grupo que o acolhe. O fascínio se dá, pois essa juventude de hoje em dia não tem alguma coisa para se espelhar e se inspirar, eles não têm no que se apoiar. Qual o único segmento hoje em dia que expõe as suas vontades e os seus desejos, mesmo que seja em relação ao futebol? É a ‘torcida organizada’ (PIMENTA, 2000).
O futebol apresenta-se desse modo como veículo de uma ideologia que está presente nos gritos de guerra, nas bandeiras e no próprio pertencer àquela determinada torcida. Ideologia essa que faz apologia à intolerância aos que não comungam da mesma escolha.

A violência gerada pelas torcidas organizadas passou a ser uma preocupação social, bem como entrave para a presença de muitas pessoas que gostariam de frequentar os estádios apenas por diversão.

Saudações tricolores!

Raísa Lobato
Psicóloga
CRP 06/109459

Referências bibliográficas:

 PIMENTA, C. A. M. Violência entre torcidas organizadas de futebol. São Paulo Perspec.,  São Paulo,  v. 14,  n. 2, Junho, 2000.