Por Camis Carvalho – @camisspfc
     Que o Centro de Formação de Atletas Presidente Laudo Natel, vulgo CT de Cotia, tem uma das melhores e mais modernas estruturas para formação de atletas do Brasil – se não for a melhor -, todos já sabem. Inaugurado pelo então presidente Marcelo Portugal Gouvêa em 16 de julho de 2005, com 220 mil metros quadrados, alojamento para 150 hóspedes, piscina semi-olímpica, consultório médico e odontológico, refeitório para 120 pessoas, REFFIS próprio e até mesmo salas para aula de reforço escolar e inglês para os atletas, entre tantos outros benefícios, o centro é referência internacional no trabalho de formação de atletas de alto rendimento. Em Cotia treinam as categorias infantil, juvenil e junior do Tricolor.
Foto: Site oficial
     Mas talvez o grande valor do CT de Cotia nem seja sua estrutura, mas sim o rendimento que ele traz ao clube. Só pra se ter uma ideia, de 2006 até 2012, o São Paulo ganhou R$ 206,5 milhões, numa média de R$ 34,5 milhões por ano. Detalhe: esse não é o valor total das vendas (que é bem maior, mas sim o valor efetivamente embolsado pelo tricolor). E mesmo sem Lucas, cujo valor da negociação é fora do comum, tem-se uma média fantástica de R$ 20 milhões por ano.
     Grandes nomes do futebol foram revelados nas nossas categorias de base. Com menos de uma década de existência, o CFA de Cotia já revelou, entre outros, nomes como Breno, Hernanes, Jean, Lucas, Bruno Uvini, Luiz Eduardo, Zé Vitor, Wellington, Henrique, Oscar e Casemiro. Sem contar os atletas provenientes da nossa base que participaram ativamente de grandes conquistas internacionais do Tricolor (Libertadores e Mundial), tais como Edcarlos, Breno, Alex Silva, Hernanes e Diego Tardelli.
     Mas nem só de flores vive a nossa base. Já perdemos uma verdadeira “mina de ouro” com atletas que foram dispensados pelo Tricolor, como, por exemplo, os atacantes Hulk e Leandro Damião, o goleiro Rafael e o zagueiro Paulo André, que, juntos, valem hoje cerca de R$ 200 milhões. Hulk, por exemplo, ficou seis meses na equipe de juniores, até que um dirigente são-paulino o considerou “desengonçado” e liberou o grandalhão. O goleiro santista Rafael passou uma temporada inteira na base são-paulina, mas foi dispensado por ser considerado baixinho demais para a posição. Já Paulo André ficou dos 15 aos 18 anos no Tricolor, tendo passado por infantil, juvenil e júnior; nem o fato de ter conquistado dois títulos estaduais em categorias diferentes evitou a dispensa. Por fim, Leandro Damião, que fez dois testes e chegou a passar três semanas concentrado, mas acabou reprovado.
     O São Paulo gasta atualmente cerca de R$ 1,5 milhão por mês para manter o CT de Cotia e os mais de 340 atletas que integram as categorias de base. É, de longe, o clube brasileiro que mais investe em suas divisões inferiores.
    E vocês, em quem apostariam da nossa atual categoria de base? Arriscam o nome de algum “futuro craque” que possa render bons frutos ao Tricolor?