Saudações tricolores! 
Hoje o SPFC enfrenta o Coritiba no Couto Pereira às 16h. Se ganhar, o tricolor fica a 2 pontos de G4. Mas na coluna de hoje, vou falar sobre algo mais profundo: porque me tornei são-paulina
Acredito que o time pelo qual torcemos não é uma escolha racional. Não é baseado em uma análise de prós e contras de porque torcer (ou não) por determinado clube. Ninguém faz uma listinha (pelo menos, não acredito que faça). Há sempre uma certa influência familiar, mas isso também não é determinante, uma vez que há vários filhos que não torcem pelos mesmos clubes que seus pais. 
Muitas vezes, a coisa começa na escola. Seus amiguinhos torcem para um determinado time e aí, a escolha pode ser ‘porque meu pai também gosta’, ‘porque é o time que só ganha’, e por aí vai. Na visão da criança, estes argumentos são simples e validam a escolha. Inúmeras vezes, esta escolha se mantém por toda vida. Já em outras, há troca da time. Aliás, a infância é o único período no qual é aceitável a troca de clubes. 
Outra coisa que influencia a criançada é a fase do time, por lado e pelo outro também. Se pegarmos crianças na década de 90, sobretudo 92, 93, é bem possível acharmos muitas são-paulinas, pois foi uma fase inesquecível para qualquer tricolor. O mesmo aconteceu no período de 2005, 2006, 2007 e 2008, no qual o SPFC conquistou Libertadores, Mundial e o Tri-Hexa-Brasileiro. Mas por outro lado, é comum encontrarmos crianças que no ano de 2007, resolveram adotar o Corinthians como time do coração, justamente achando que o time rebaixado precisava de todo apoio possível. 
Eu venho de uma família bugrina. O lado da minha família mais ligado ao futebol torce pelo Guarani, de Campinas. Pra quem não sabe, o Bugre foi campeão Brasileiro em 1978 (e meu pai estava no estádio) e decidiu o Campeonato Brasileiro com o SPFC em 1986. O protagonista? Careca, que foi decisivo para o Bugre em 1978, foi também decisivo para o tricolor em 1986. Nesta época, eu tinha 6 anos de idade, mas tenho boas (e vívidas lembranças daquela decisão). 
Minhas memórias tricolores me levam agora ao ano de 1989, Campeonato Paulista. A semi-final foi São José x Corinthians. Lembro que torci como nunca pelo São José, time da minha cidade. Quando o São José foi para a final contra o SPFC, lembro que não torci tanto pelo time local, pelo contrário, fiquei muito feliz com a vitória do time da capital. Aliás, naquela época já achava aquela camisa linda. 
Depois deste tempo, fui morar no exterior, passei um tempo fora do Brasil. E, amigos, no início da década de 90 não havia internet como hoje. Ou seja, a informação do que acontecia em outro país não era fácil. Mas, voltando ao Brasil, tive a chance de acompanhar uma fase gloriosa do SPFC. A fase Telê Santana. Fico imaginando se existissem as redes sociais na época. O que iria ter de torcedor xingando o fato de Telê Santana ter assumido o SPFC… Sem dúvida! Lembro que na época, a gente comprava o jornal, lia as colunas de comentaristas e ficava conversando sobre isso… A imprensa na época também não acreditava que Telê Santana fosse capaz de fazer um trabalho marcante no SPFC. Que bom que nem sempre os supostos “entendidos” do futebol acertam suas previsões. 
Lembro que naquela época assistia todos os jogos do SPFC pela TV e os que não passavam, acompanhava pelo rádio. Campeonato Paulista de 1992, final contra o Palmeiras…4×2 no primeiro jogo, 2×1 no segundo…Campeonato disputado no segundo semestre. O Flamengo (de Júnior) foi campeão Brasileiro naquele ano, mas para o são-paulino o que marcou mesmo foi a Libertadores e o Mundial…Ah, o Mundial… Aqui entre nós, brasileiro só começou a levar mais a sério a Libertadores depois do SPFC em 1992, porque a última conquista nacional da Liberta até 1992, há todo um abismo no qual mal se falava no campeonato sul-americano. O SPFC trouxe este gostinho de Libertadores de volta ao Brasil. E no Mundial, enfrentaríamos o temido Barcelona, de Stoichkov… Amigo de Romário. Show de Raí. Campeões Mundiais. Dose dupla em 1993. Eu, como bom tricolor, acordando de madrugada pra ver o jogo. Milan, jogo complicado, gol ‘espírita’ de Muller… Bi-campeão mundial. 
Em 1994, chegamos até a final, mas ficamos por um penalty, perdido por Palhinha. O tri viria só anos mais tarde, em 2005. O que me fez são-paulina? O que desperta o amor de alguém por um clube? Acho que vai além da filosofia (sim, cada clube tem uma filosofia… Isso deixo pra explicar em outra coluna), muito mais do que títulos. Sim, porque se fosse só por títulos, o torcedor seria o indivíduo mais inconstante do mundo, uma vez que futebol é cíclico. E ninguém muda de time porque se perde um campeonato. Não funciona assim. É muito mais que isso. É aquele friozinho na espinha quando o time entra em campo e você está na arquibancada… É aquela alegria que invade seu coração quando sai um gol do seu time. É o orgulho de colocar uma camisa. Acho que é um pouco disso tudo. E sempre tem aquele quê…Algo que não se explica. Algo maior que qualquer texto. É paixão, é amor. É muito mais que isso, pois você até muda de marido, de esposa, mas não muda de time. 
Nesta coluna descrevi o começo da minha vida são-paulina… E você, leitor? Como se tornou tricolor? O que lembra dos seus primeiros anos como são-paulino? Suas primeiras alegrias? Suas primeiras tristezas? O que te fez tricolor?

Thaís Cachuté Paradella. 












Esta que vos escreve, no Morumbi, em 2008.