Por Raiza Oliveira – @ra_iza

Tricolores, dando continuidade ao especial “Deuses da Raça” que iniciou ontem com a coluna da Camis (leia aqui), vou falar hoje de um dos melhores maestros que já vestiram a camisa 10 Tricolor. Sua raça característica não podia vir de outro lugar senão do Uruguai. Pedro Rocha não foi escolhido à toa para ser homenageado nesta série de camisas especiais, porque marcou de forma exemplar a nossa história.
Apontado por Pelé como um dos maiores jogadores do mundo na década de 70, “El Verdugo”, “El Maestro” ou “Don Pedrito” iniciou sua grande carreira pelo Peñarol, onde conquistou títulos importantes como duas Libertadores e um Mundial Interclubes, além de sete campeonatos uruguaios. Estreou no São Paulo em 27 de janeiro de 1970, com uma derrota de 2 a 0 sobre o Flamengo. Rocha era ambidestro e fazia lançamentos, mas não de longas distâncias. Jogava mais perto do gol, chutava mais e cabeceava; era mais artilheiro, um chamado ponta-de-lança.

Mas Rocha sofreu no seu início de carreira no Morumbi. Os técnicos da época não conseguiram posicioná-lo de forma que rendesse o que rendia no Penãrol, onde atuava como centroavante. Sem contar uma certa rusga que teve com Gerson, que era mais explosivo, enquanto Verdugo era quieto e tranquilo. Enquanto Gérson esteve no time, Rocha rendeu pouco. Em um ano, rendeu mais que nos dois outros anteriores, quando Gérson não estava. 

Em 1972, sem Gérson, Rocha tomou conta da armação do time e passou a jogar muito melhor. Lançava o centroavante, se posicionava para cabecear cruzamentos da defesa, segurava a bola e chutava forte de longe quando não tinha como passar e cobrava faltas com o pé direito no canto esquerdo do goleiro com precisão.
“É assim que ele jogava. Foi assim que Rocha se transformou no maior jogador uruguaio dos últimos 50 anos”, analisou Forlán, com um toque de emoção. (…)” para o livro “Tricolor Celeste” de Luís Augusto Símon, de 2009.
Em entrevista dada à Folha de S. Paulo em 1974, ele pautou algumas de suas dificuldades de início de carreira e quanto a ter sido um boicote de Gérson: “Tive problemas de adaptação climática, de alimentação e de ambiente. Tive contusões e até disenteria. Foi isso que aconteceu. O Gérson não teve nada com isso.” (…) Mas em entrevistas seguintes, Rocha sempre citava Gérson como um tipo de empecilho de maneira indireta.
Pedro Rocha foi o primeiro estrangeiro a ser artilheiro do Campeonato Brasileiro. Foram 17 gols em 61 jogos em 1972. Depois disso, o São Paulo só teve um artilheiro no campeonato em 1986 com Careca. Em 1975, Rocha conquistou seu terceiro título paulista e comandou uma invencibilidade de 39 jogos. Nos anos seguintes, foi perdendo espaço até sair do time. Mas nada, nunca, tirará seu “véu” de craque. Era o Raí gringo, conforme foi e é descrito por todo e qualquer boleiro que jogou contra e junto dele – isso inclui Muricy Ramalho, que também jogava fácil na época.
Mais uma vez, lamento por não tê-lo visto jogar. Obrigada Pedro Rocha, por nunca ter desistido diante às dificuldades. Você faz jus ao título “deus da raça” e não podia ter escrito tamanha história em outro clube brasileiro. Obrigada por ser Tricolor!
PS.: Pedro Rocha também tem números importantes pela seleção Uruguaia. Participou de quatro edições  e em 71 jogos fez 16 gols.
#VAILÁDECORAÇÃO