Por Mayra Soares (@soaresmayra)

Esse mês, mais precisamente no dia 24, um dos melhores pontas esquerdas do São Paulo, completaria 80 anos.  José Ribamar de Oliveira, mais conhecido como Canhoteiro, era Maranhense de Coroatá e começou sua carreira no América do Ceará nos anos 50.

Chegou ao São Paulo em 1954 e foi no Tricolor que se consagrou.

Muitos o chamavam de “Garrincha da ponta esquerda” e dizem que Canhoteiro foi um dos melhores jogadores da história são-paulina, apesar de ter ganhado um título apenas, o Paulistão de 57.

Muita gente não sabe quem foi Canhoteiro, afinal as cameras não eram disponíveis como hoje. Fora de São Paulo poucos sabiam quem era esse jogador tão talentoso.

Canhoteiro é um daqueles talentos que pouca gente se lembra, mas que eternizou suas jogadas no coração daqueles que tiveram a sorte de vê-lo jogar.

Marcou no São Paulo 103 gols, jogou no clube de 54 a 63.

Humilhou muitos marcadores, sem querer humilhar, Canhoteiro era de personalidade humilde, mas tinha muitos dribles bonitos pra guardar.

Na Seleção Brasileira, concorria com Pepe e Zagallo e não tinha muita ambição, foi o que fez com que sua carreira com a amarelinha fosse curta.

Em 1960 Canhoteiro jogou pelo São Paulo na inauguração do Cícero Pompeu de Toledo, a nossa casa sacrossanta, o Morumbi. Jogamos contra o Nacional de Montividéo e ganhamos por 3×0, dois gols de Gino Orlando e um, de quem não podia faltar, Canhoteiro.

O maior problema do “garoto humilde” foi justamente sua “micro visão” do que era o futebol profissional. Canhoteiro foi ingenuo e não percebeu que seu excelente futebol dependia do seu bom condicionamento físico aliado ao seu talento.

Tanta genialidade, tantos dribles e arranques fizeram com os joelhos do nosso craque começasse a pedir socorro. Seu futebol já não rendia mais como antes, e o “Garrincha da ponta esquerda” foi vendido para o México, onde conseguiu jogar por mais 2 anos, mas os joelhos daquele gênio estavam cansados.

Canhoteiro fez nova operação, mas não ficou 100% bom, o que fez com que sua carreira se encerrasse.
A medida que o futebol diminuiu, os problemas com a bebida cresceram, e em 16 de agosto de 1974 Canhoteiro nos deixou órfãos de seu futebol.

Eu sou uma das pessoas que, infelizmente, não viu o brilho desse atleta, mas tenho certeza que quem pôde testemunhar sua atuação, jamais pôde esquecer.

Que Canhoteiro esteja em algum lugar do céu driblando seus marcadores.


“Um pé de ouro
Um peladeiro
Mata no peito e beija o sol
Balão de couro
Bola de efeito
Mas que perfeito é o futebol”
(Canhoteiro, Zeca Baleiro)