Os Jogos Paralímpicos de Londres acabaram há algumas semanas, e com resultados excepcionais para o Brasil. O que pouca gente sabe é que dentre os paratletas que compunham a delegação do Brasil, estava um ex-goleiro do nosso amado tricolor e hoje velejador paralímpico, Bruno das Neves. Na coluna de hoje vou falar um pouco sobre um fenômeno comum a maioria desses paratletas brilhantes: a resiliência. 
Divulgação – Bruno Neves visita o CT do São Paulo e reencontra Rogério Ceni
Bruno das Neves chegou as categorias de base com apenas 12 anos, por diversas vezes foi convocado para atuar nas categorias de base da Seleção Brasileira como goleiro. Participou da conquista da Copa do Mundo de Futebol Sub-17, em 2003.

Em 2006 era o terceiro goleiro do São Paulo e foi apontado como o sucessor do Rogério Ceni. Porém, um acidente automobilístico nesse mesmo ano ocasionou um grave deslocamento na coluna levando ao diagnóstico de tetraplegia, e assim, encerrando de forma precoce sua carreira como goleiro.
 
O acidente encerrou sua carreira profissional no futebol como goleiro, mas não sua carreira no esporte. Desde 2009 Bruno pratica vela e tornou-se um paratleta dessa modalidade.
 
Em 2011, Bruno conquistou a inédita vaga para os Jogos Paralímpicos de Londres no Mundial, que reuniu os melhores velejadores com deficiência do mundo, na Inglaterra. Infelizmente o nosso paratleta não obteve bons resultados em Londres, mas sua participação em Paralimpíadas com certeza não se encerra aí.
 
Se formos observar a história de cada paratleta que esteve presente em Londres com certeza veremos histórias de superação, perseverança e muitos casos semelhantes ao de Bruno, de pessoas que tiveram que adaptar-se a uma nova vida.
 
Mas a questão que circunda esse assunto é: por que algumas pessoas que passam por adversidades significativas evoluem para um quadro de total incapacitação enquanto outras seguem suas vidas firmes?
 
A reviravolta que Bruno teve em sua vida pessoal e profissional e a perseverança em voltar ao esporte, agora como paradesporto tem uma explicação: a resiliência.
 
A resiliência é uma palavra que vem do latim resilie, que significa “voltar ao normal”, muito utilizada na Física e Engenharia. O conceito surgiu em 1807 com estudos que buscava avaliar a relação entre a força aplicada num corpo e a deformação que essa força produzia (YUNES, 2006).
 
Segundo Grunspun (2006) o termo resiliência passou a ser utilizado na Psicologia para caracterizar a capacidade humana de passar por experiências adversas sucessivas sem prejuízos para seu próprio desenvolvimento, superando e, até mesmo, se fortalecendo diante das adversidades da vida.
 
A resiliência seria então o quanto a pessoa consegue adaptar-se apesar das adversidades as quais está expostas. É como aquela frase que diz: “Você nunca sabe a força que tem, até que sua única alternativa é ser forte”. O individuo resiliente não é aquele que não reage ao que está sendo seu estressor mas aquele que reage de modo a sofrer menos prejuízos.
 
Estudos demonstram que o fator “resilencia” depende de uma complexa interação entre fatores genéticos, história de vida do indivíduo e a cultura em que ele está inserido.
 
Dentre as possíveis maneiras que possam auxiliar as pessoas a desenvolver ou maximizar essa característica tão relevante, pesquisadores colocam: a psicoterapia, trabalhos comunitários e a ajuda ao próximo. Esses dois últimos são corroborados por estudos que demonstram a eficácia do comportamento de ajudar outras pessoas sobre o bem-estar, a qualidade de vida e a saúde física.
 
Saudações tricolores!

Raísa Lobato
Psicóloga
CRP 06/109459
 

Referências bibliográficas:
 GRUNSPUN, H. Criando filhos vitoriosos: quando e como promover a resiliência. São Paulo: Atheneu, 2006.
YUNES, M. A. M. Psicologia positiva e resiliência: o foco no indivíduo e na família. In: DELLAGLIO, D.D.; KOLLER, S.H.; YUNES, M.A.M. (ORG.) Resiliência e psicologia positiva: interfaces do risco à proteção. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2006.