Na coluna de hoje falarei um pouco sobre um artifício muito usado por psicólogos do esporte e que auxiliam bastante no desempenho de atletas, seja este de um esporte coletivo ou o atleta de modalidade individual: o plano de competição.
Fonte: R7Esportes
Quando chega o dia da competição não há muito que ser feito, pois o potencial de desempenho do atleta já foi estabelecido por sua preparação anterior.  E esta preparação prévia inclui o condicionamento físico, as habilidades que foram desenvolvidas em treino com o atleta, a estratégia tática e o plano do jogo. Porém existem algumas distrações e eventos peculiares (como a pressão da torcida adversária) que pode colocar toda preparação prévia em cheque. E é justamente nessa hora que um plano de competição pode ajudar.

De acordo com Martin (2001) o plano de competição refere-se àquelas coisas que o atleta pode fazer, dizer, pensar, nas quais pode se concentrar e às quais pode se dedicar no dia da competição, logo antes da competição e durante a mesma, que maximizarão as suas chances de ter um desempenho compatível com seu potencial. 

Da forma como foi posto acima parece que o psicólogo estaria emitindo ordens da maneira como atleta deve pensar e agir, o que na verdade não ocorre. Como o objetivo é auxiliar o atleta a ter um desempenho genuíno com seu potencial, o plano de competição fornece subsídios para que ele aprenda e treine melhor sua capacidade de se concentrar e de mentalizar exatamente como quer atuar em uma competição.

Um plano de competição inclui estratégias para minimizar o efeito das distrações, para suportar distrações que não podem ser minimizadas (como por exemplo, insultos da torcida adversária), para lidar com a ansiedade competitiva, para atingir um nível ideal de prontidão para aquele evento ou competição, para manter a confiança e a concentração, para minimizar os efeitos da fadiga e maximizar o esforço (MARTIN, 2001).

O plano de competição sempre é formulado respeitando as peculiaridades do time ou do atleta. É possível que um mesmo plano de competição seja utilizado em outros atletas, mas sempre deverá ter a “cara do atleta”, ou seja, ser baseado em cima de características individuais e das especificidades que se deseja trabalhar com o atleta. Portanto, sempre haverá modificações a se fazer.

Segundo Martin (2001) os planos de competição incluem, tipicamente, cinco componentes:
  1. um plano para o dia do jogo (desde a hora de acordar até aproximadamente uma hora antes da competição) para assegurar que o atleta tenha um dia tranquilo e livre de estresse antes de competir;
  2. um plano pré-competição para a última hora, mais ou menos, antes do inicio da partida, a fim de minimizar as distrações e maximizar a prontidão mental do atleta;
  3. um plano focado na competição, para assegurar que, uma vez que ela comece, o atleta mantenha-se confiante e concentrado;
  4. um plano de reconcentração para lidar com distrações incontroláveis que podem acontecer;
  5. uma estratégia estruturada de avaliação pós-competição para rever e refinar os planos.
 Como se pode observar o plano de competição deve ser bem estruturado e cuidadosamente elaborado, tendo em vista que ele permite ao atleta antever alguns possíveis percalços que possam ocorrer durante a competição.

Saudações tricolores!

Raísa Lobato
Psicóloga
CRP 06/109459

Referências Bibliográficas:
MARTIN, G. L. Consultoria em Psicologia do Esporte: orientações práticas em análise do comportamento. Campinas. Instituto de Análise do Comportamento, 2001.