Por Camis Carvalho – @camisspfc
     Quem me conhece sabe que não faço o perfil
“corneteira”, muito pelo contrário. Estou mais para “São Paulo:
ame-o ou deixe-o”. Sempre fui e sempre serei a favor de apoiar incondicionalmente, sou radicalmente contra protestos como o Morumbi
Zero e perseguições a um jogador especificamente, e não suporto torcedor mimado
que canta aos quatro ventos seu amor ao clube na boa fase, mas se tomamos um
gol em uma partida, já xinga e diz que é o pior time do mundo. Estes são os
mesmos que deixam de ir ao estádio quando a fase não está muito boa.
     Mas não é desse assunto que tratarei na minha coluna de
hoje; e sim de um assunto mais delicado ainda: Juvenal Juvêncio. Para não ser
injusta, já reconheço de antemão que nosso presidente tem lá seus pontos
positivos. É notória sua dedicação 24h por dia ao clube; é inteligente e bem
preparado intelectualmente (formado em Direito); nunca fez parcerias obscuras;
é adepto do costume de fazer palestras motivadoras aos jogadores -o que,
geralmente, ajuda bastante-; teve uma boa parcela de responsabilidade na
montagem do time campeão da Libertadores e do Mundial de 2005, como então
diretor de futebol; já era o Presidente quando conquistamos nossos três
campeonatos brasileiros consecutivos em 2006, 2007 e 2008 (muito obrigada Muricy
Ramalho!); sem contar seu infindável amor pelo clube.
     Tudo isso é louvável, mas não basta. Nosso presidente tem em
seu currículo uma lista interminável de declarações dispensáveis; péssimo
relacionamento com dirigentes de outros clubes e entidades esportivas –  que,
querendo ou não, prejudica o clube-; não renovou contrato com jogadores importantes
como Mineiro e Danilo; fez trocas infelizes como Aroca por Rodrigo Souto, com o
Santos; contra a vontade da torcida, negociou Josué, por míseros US$ 2 milhões, um valor considerado baixíssimo em
relação à sua qualidade e importância ao clube, sendo que US$ 280 mil foram para o jogador; colecionamos 15 eliminações de
2006 até hoje; além da constante troca de técnicos: desde que assumiu a presidência,
JJ já contratou seis técnicos diferentes em seis anos, entre eles Muricy
Ramalho, que permaneceu por 3 anos e meio no Tricolor, o que torna essa média
ainda mais assustadora. 
Foto: Luiz Pires/VIPCOMM
     Vale lembrar, também, que sua reeleição foi marcada por
muita polêmica: ano passado Juvenal se reelegeu presidente pela segunda vez. Isso
só foi possível graças à mudança no Estatuto do clube, ocorrido em 2008. Até
então, era permitido apenas uma reeleição. 
O novo regimento aumentou o período do presidente no cargo. Em seu
terceiro mandato seguido no São Paulo, JJ terá mais três anos no comando do
clube. Antes eram dois anos. Com isso, a oposição chegou a compará-lo com
Eurico Miranda, ex-presidente do Vasco, alegando não haver democracia,
transparência e coerência.
     Mas o mais preocupante, para mim, são os números. Estudos
apontaram um endividamento 208% maior na era Juvenal, de R$ 51,6 milhões, há
seis anos, para R$ 159 milhões, de acordo com o balanço patrimonial encerrado
em 31 de dezembro de 2011. De 2010 para 2011, o crescimento foi de 52%. O
relatório, divulgado pela consultoria Pluri, indica que boa parte do aumento se
deve a contas de empréstimo e financiamento. Além disso, o crescimento nas
receitas do clube foi de apenas 15% – era de R$ 195 milhões em 2010 e passou
para R$ 225 milhões em 2011. O Tricolor se mantém como o segundo maior
arrecadador do Brasil, mas teve o quarto menor aumento neste quesito entre as
principais equipes do país.
     Tudo isso, aliado ao fato de que não conquistamos um título
desde 2008, vem me fazendo questionar a gestão de Juvenal Juvêncio. Volto a
destacar: não sou corneteira. Mas, como torcedora apaixonada pelo São Paulo, me
sinto ultrajada com todos esses dados, e admito estar “de saco cheio” das
presepadas do nosso presidente. O São Paulo é maior do que qualquer dirigente,
técnico, jogador ou mesmo ídolo, e é justamente por ver o quanto está sendo
prejudicado, é que aderi à campanha FORA JUVENAL! E avante, Tricolor!