A liderança é um fenômeno de especial importância, principalmente no contexto esportivo. O motivo é bastante óbvio, uma liderança eficaz é capaz de desenvolver as potencialidades de um grupo e com isso, alcançar as metas propostas de forma mais efetiva. Há umas semanas atrás falei sobre a importância da figura de um líder para um grupo, e citei o goleiro Rogério Ceni como um exemplo de líder. Hoje volto a falar desse assunto, mas com o enfoque diferente: a liderança do técnico. Escolhi o Telê Santana, que é um grande exemplo de líder no esporte.
Foto: Tricolormania
A posição de um líder é um cargo de extrema responsabilidade, porém o maior desafio sempre será exercer uma liderança efetiva. Por esse motivo, nem sempre o homem que está à frente de um time, o treinador, pode ser considerado um líder efetivo.

 Martens (1987 apud SAMULSKI, 2009) apresenta algumas ações do líder efetivo:

  • estabelecer objetivos e metas concretas;
  • construir um ambiente social e psicológico favorável;
  • instruir valores;
  • motivar os membros para o alcance de objetivos e metas;
  • comunicar-se com os atletas.
As características do próprio líder são determinantes no exercício de uma liderança eficaz. Existe uma série de características que, dependendo da situação e da característica dos liderados, facilita o trabalho do líder. Os grandes líderes tem habilidade de entender as percepções, os pensamentos e os sentimentos de outras pessoas (empatia). A empatia permite ao líder conhecer motivos, interesses e necessidades dos atletas (SAMULSKI, 2009).

De acordo com Samulski (2009) as relações afetivas do líder com o grupo tem sido entendidas como sendo de grande efeito nas situações favoráveis. O líder que é respeitado e querido pode obter o consentimento do grupo em relação às suas decisões, sem o exercício do poder, podendo dessa forma agir mais decisivamente com mais confiança do que o líder que não é querido ou é rejeitado pelos membros do grupo.

Existe outro aspecto que deve-se ressaltar: a confiança mútua entre líder e liderados. Essa confiança é um item de extrema relevância dentro da liderança. Ela se mostra essencial para o líder, pois possibilitará que o líder conquiste seus liderados a lutar pelos mesmos propósitos que ele, auxiliando-o e mantendo-os com ele mesmo em momentos de crise (BENNIS, 2009).

Dentre os estilos de liderança democrático e autocrático, pesquisas confirmam que a preferência dos atletas é por um líder democrático. Como o próprio nome sugere, o líder democrático estimula o grupo, colocando os problemas em discussão. Ele descreve os passos possíveis para o alcance das metas, sugere alternativas e oferece ajuda.

E vocês, leitores? Acreditam que a liderança efetiva faz diferença? Conseguem pensar em algum técnico que tenha passado pelo São Paulo e desenvolvido uma liderança efetiva além do Telê Santana? Aguardo o comentário de vocês!

Saudações tricolores!

Raísa Lobato
Psicóloga
CRP 06/109459

Referências Bibliográficas:

BENNIS, W. G. On Becoming a Leader. Twentieth Anniversary Edition. Philadelphia: Basic Books, 2009.
SAMULSKI, D. Psicologia do Esporte, conceitos e novas perspectivas. 2 ed. Editora Manole, 2009.