Muito foi comentado a respeito da expulsão do jogador Luís Fabiano no jogo contra o Atlético Mineiro. Torcedores preocupados com a conduta do atacante e receosos com o fato comportamento dele no jogo poder influenciar na partida decisiva da Copa do Brasil. A situação estava tão crítica que o jogador chegou a gravar um vídeo se desculpando com a torcida pelo fato. Na coluna de hoje abordarei sobre a questão da raiva e do comportamento explosivo que podem comprometer uma partida e seu resultado.
Fonte: Globoesporte.com
A dinâmica de um jogo apresenta diversas situações em que os jogadores podem esboçar diversos tipos de emoções.
Segundo Samulski (2009) não é um situação objetiva que determina se a emoção se apresentará, mas sim a maneira como o próprio atleta avalia a situação.

Em estudo realizado por Allmer (1985 apud SAMULSKI 2009) encontrou-se as situações típicas de irritação dos atletas em competições: situações de rendimento e situações sociais. Em toda competição, para alcançar uma meta desejada requer-se um determinado gasto psicofísico, que é produzido a partir da avaliação das próprias capacidades e das dificuldades requeridas pelas tarefas. O gasto será apropriado se contribuir para alcançar a meta desejada e, pelo contrário, será inapropriado se a meta for perdida por falta de esforço suficiente, ou se não puder ser alcançada mesmo com muito esforço. Caso a meta não seja alcançada e o gasto for avaliado como negativo, surge a raiva. Com relação ao segundo tipo de situação (situações sociais), autor pontua que o  atleta pode experimentar sensações negativas quando outras pessoas (treinador, pais companheiros) duvidam de suas capacidades e seus méritos.

Vamos imaginar uma situação em que o jogador cava falta e o juiz expulsa esse jogador de campo e ele perde a oportunidade de demonstrar sua perfomance e ainda acaba prejudicando sua equipe. Samulski (2009) pontua que quando o resultado de uma ação depois de uma expectativa insegura é negativo, o efeito, diante de condições ameaçadoras, será de resignação e agressão. Entretanto, a resignação e a agressão são esperadas quando o atleta se dá conta de que uma consequência que representa ameaça parece inevitável, apesar de ele ter se esforçado para evitá-la.

De acordo com Martin (2001) a raiva é causada pela retirada ou retenção de recompensas. Uma decisão do juiz pode ser um exemplo, tendo em vista que no futebol ela eventualmente vem seguida por uma explosão de raiva por parte dos jogadores envolvidos.

A raiva em si nem sempre é um problema, pois o atleta que consegue controlá-la em momentos cruciais não se prejudica. Mas, muitas vezes as explosões de raiva levam a infrações de regras resultando em penalidades. E, se a raiva persistir, pode atrapalhar um desempenho qualificado, devido aos mesmos quatro motivos pelos quais a ansiedade interfere no desempenho, que foi abordado na coluna da semana passada.

Freud preconiza que a liberação de emoções reprimidas, ou catarse, é uma prática saudável. E muitas pessoas parecem sentir que não é bom “guardar” a raiva e mantê-la internalizado. Por outro lado, inúmeros estudos demonstraram que expressar e falar de sua raiva nem sempre livra a pessoa da mesma, podendo inclusive prolongá-la e torná-la mais intensa. Além disso, muitos atletas aprenderam a expressar a raiva através da agressão física e verbal. Mas essa maneira de expressar pode interferir no desempenho esportivo, alguns atletas podem precisar aprender a controlar sua raiva. (MARTIN, 2001)

Dentre as estratégias que se apresentam como eficazes nesses casos, podemos citar a autoconversação e as técnicas de relaxamento. Ambas técnicas são ensinadas por psicólogos, que nesse caso pode auxiliar o atleta a controlar a sua raiva e não permitir que ela prejudique seu rendimento e seus objetivos nas competições.

Saudações tricolores!

Raísa Lobato
Psicóloga
CRP 06/109459

Referências Bibliográficas:
MARTIN, G. L. Consultoria em Psicologia do Esporte: orientações práticas em análise do comportamento. Campinas. Instituto de Análise do Comportamento, 2001.
SAMULSKI, D. Psicologia do Esporte, conceitos e novas perspectivas. 2 ed. Editora Manole, 2009.