Hoje tenho 32 anos, mas em 1992 eu tinha 12 e agradeço muito a Deus por ter acompanhado um momento histórico de glórias do que eu considero um dos melhores times que já vi jogar. Tive a honra e o prazer de acompanhar aquele time do SPFC campeão da Libertadores e mundial em 1992. Muita coisa era diferente naquela época, afinal esta é uma história que aconteceu há 20 anos. 
Em 1992, o Brasil vivia a euforia de ainda estar com um presidente recém-eleito por voto direto. Escolha não muito boa dos brasileiros, uma vez que o Impeachment desse presidente foi pedido algum tempo depois. Eu estava na sexta séria (na época, não tinha nona série e ensino médio. Era primeira série, até oitava série e depois 3 anos de colegial). Já acompanhava futebol bem antes disso, ou seja, não passei a gostar de futebol só por causa do bom momento do tricolor, mas confesso que entendo quem agiu assim, pois aquele time era mais do que bom… Era espetacular. 
Em termos esportivos, 1992 foi o ano da Olimpíada de Barcelona, onde vimos a medalha de prata de Gustavo Borges, a de Ouro de Rogério Sampaio no judô e uma das medalhas mais gostosas que vi um time ganhar na Olimpíada, a de ouro da seleção masculina de volei, com José Roberto Guimarães como técnico. 
Em termos esportivos, o calendário era invertido: o campeonato Brasileiro era disputado no primeiro semestre e o campeonato Paulista no final. O campeão Brasileiro daquele ano foi o Flamengo e o Paulista foi o SPFC, em uma final com o Palmeiras, mas esta é matéria pra outra coluna. 
Aquela Libertadores dispertou um gosto especial, não só nos tricolores, mas até torcedores de outros times curtiam ver aquele time jogar. Por um motivo muito simples, o time não tinha nenhum atleta que todos destavam antes mesmo de amá-lo. Era um time extremamente profissional, comandando por um camisa 10 imponente, que fazia belos gols e distribuía jogadas, avesso à fama. O time não tinha um centroavante nato, um goleador e os gols eram distribuídos entre os homens de frente e de meio-campo. No banco, quem organizada todo este elenco com qualidade absurda era um técnico que muitos diziam ser ‘pé-frio’, pois não conseguiu ganhar 2 Copas do Mundo, com uma seleção que muitos entendidos acham ‘a melhor que não ganhou a Copa’. Ora, que culpa o técnico tem se o time achava que iria levar o caneco, muito antes de qualquer partida? Tanto que até jogadores tiraram fotos de campeões antes mesmo da Copa. Que culpa um técnico tem se alguns jogadores eram displicentes com a parte defensiva? Mas este técnico levou a fama que não ganhava títulos importantes por muito tempo… Até treinar este time de 1992. 
E exatamente por isso, lembro de colegas torcedores de outros times dizendo ‘como o SPFC joga bem, só no toque de bola’‘ O Telê merecia esta conquista’. E merecia mesmo. Telê Santana marcou época no SPFC e neste ano de 1992, ganhou o primeiro título internacional de peso ao tricolor. Graças a isso, outros times passaram a encarar a Libertadores com muito mais peso do que vinham encarando. 
Aquele time de 1992 era mágico. Tanto que conseguiu chegar à final da Libertadores, em um jogo mais do que eletrizante, levando a decisão para os penalties contra os Newells Old Boys. E aquela defesa de Zetti no último penalty…Levando um Morumbi lotado ao delírio… Aquele era um time que o torcedor confiava…E muito. Sabíamos que era difícil, mas tínhamos certeza que Raí e companhia conseguiriam fazer o resultado no Morumbi e levantar o caneco. Não deu outra. Há 20 anos o SPFC era campeão da Libertadores em pleno Morumbi. Hoje os jogadores daquela época serão homenageados no jogo SPFC x Atlético-MG, com os jogadores de hoje entrando com camisas com nomes do jogadores daquela época. Uma mais que justa homenagem. 
Lucas faz seu centésimo jogo hoje pelo tricolor. Que sejam muito mais jogos garantindo a vitória para o tricolor como fez durante a semana contra o Coritiba. Mas a lembrança da minha coluna hoje é daquele time fantástico de 1992. 

Zetti, Cafú, Antônio Carlos e Ronaldão. Adílson, Pintado, Palhinha, Ivan e Raí, Müller e Elivélton. Técnico Telê Santana. Este foi o time daquela final. Um jogo memorável, lotado de tensão, decidido nos penalties, que resultou na primeira conquista da Libertadores pelo SPFC. Mais que uma lembrança, este foi um time inesquecível. Há 20 anos, o meu time conquistava a América. Há 20 anos, o capitão Raí levantou a taça de campeão da Libertadores. Um time histórico. Um momento histórico. Impossível não se emocionar. Impossível não se lembrar.

Saudações tricolores.

Thaís Cachuté Paradella.


Crédito da foto: Revista Placar.