É hoje que o São Paulo enfrenta mais um adversário para chegar mais perto da conquista da inédita Copa do Brasil. Por ser um título tão almejado pelo time, o nervosismo e a tensão aparecem junto com a expectativa de vitória. Mas como administrar esse nervosismo? O que fazer para não permitir que ele entre em campo junto com os jogadores? Fácil! Vamos deixar a tensão do lado de fora do campo.
                                                                                                  Fonte: Terra
A ansiedade ou nervosismo são fatores que certamente podem atrapalhar a performance do atleta e induzir ao mau desempenho. Mas qual o motivo dessas variáveis interferirem tanto no desempenho do atleta?
Segundo Martin (2001) existem quatro razões principais:
1) A exposição a ameaças causa mudanças fisiológicas para nos preparar para lidar com essas ameaças.  Uma dessas mudanças é a “concentração de atenção”. No Período Paleolítico, quando uma ameaça surgia aos nossos ancestrais, estes tinham menor probabilidade de sobreviver se continuassem a olhar distraidamente as montanhas ao longe, era portanto, necessário que eles ficassem extremamente atentos ao ambiente a sua volta. Voltando ao ambiente esportivo, devido a essa concentração de atenção, um atleta nervoso tem menor probabilidade de perceber deixas externas importantes. Um zagueiro nervoso poderia ter dificuldade de escolher os jogadores para receber o passe.

2) O segundo efeito do excesso de nervosismo é que ele consome energia ao processar todas essas mudanças fisiológicas. Embora uma descarga de adrenalina e a respiração acelerada possam intensificar o desempenho em atividades atléticas de explosão, o consumo extra de energia pode ser problemático em atividades de resistência, que é o caso do futebol.

3) O terceiro efeito do excesso de nervosismo é que o aumento de adrenalina fará com que o atleta se precipite durante uma rotina que domina bem, o que faz com que perca o ritmo. Esse é o caso de um atleta errar fundamentos básicos durante uma partida.

4) Por fim, outro efeito do excesso do nervosismo é  que ele acrescenta estímulos adicionais ao ambiente competitivo que, provavelmente, não estavam presentes no ambiente de treinamento, o que interfere com a generalização de estímulos de uma habilidade, do treino para a competição.

Martin (2001) pontua ainda com relação à esse último efeito que dentre as diversas categorias dos estímulos presentes em treinos e competições está o estado de excitação fisiológica. A maioria dos atletas ficam mais à vontade e relaxados nos treinos. Se os atletas estiverem nervosos durante uma competição, isso acrescenta variáveis diferentes, havendo uma probabilidade menor de ocorrer a transferência do bom desempenho que ele teve durante os treinos para a competição. Ou seja, o atleta não consegue render da mesma maneira que está acostumado a render nos treinos.

Existem algumas técnicas especificas para se trabalhar a questão do excesso de nervosismo e minimizar suas causas. Uma estratégia que pode ser eficiente em alguns casos é a de ajudar o atleta a estruturar o ambiente para “se desligar” e dar deixas a pensamentos relaxantes. No caso do futebol, o intervalo entre os tempos da partida pode promover a oportunidade para que o jogador faça essa “pausa mental” para que o ajude a relaxar. Mas é necessário que haja uma avaliação para que a escolha da estratégia seja eficiente. Devemos respeitar a peculiaridade da equipe e do atleta em questão, tendo em vista que cada um tem sua maneira específica de responder ao nervosismo, o que interfere no tipo de estratégia que se encaixa melhor ao objetivo que se almeja alcançar.

Saudações tricolores!

Raísa Lobato
Psicóloga
CRP 06/109459

Referências Bibliográficas:
MARTIN, G. L. Consultoria em Psicologia do Esporte: orientações práticas em análise do comportamento. Campinas. Instituto de Análise do Comportamento, 2001.