Todo clube sonha em ter um atleta que seja capaz de solucionar problemas de ordem técnico- tática e criar novas jogadas, ou seja, um atleta criativo. Hoje vamos falar dos atletas “gênios”, aqueles “fora de série”, que consegue “dar baile” até no telespectador. 
Pedro Rocha atuou pelo São Paulo na década de 70, durante sua passagem teve uma atuação brilhante e era considerado um jogador criativo. Imagem: Sãopaulofc.net

A criatividade é um atributo fundamental e peculiar dos “craques”, ela possibilita que o atleta encontre diversas opções para completar sua jogada. Dentro de campo um jogador tem uma diversidade imensa de jogadas. A criatividade permite que esse leque aumente, e essa característica aliada à agilidade do atleta pode produzir uma jogada fantástica.

Samulski (2009) define um atleta criativo como um indivíduo que cria ou improvisa algo novo, desenvolvendo uma nova técnica ou habilidade para surpreender o adversário e resolver um problema de sua modalidade esportiva.

A criatividade relaciona-se muitas vezes a capacidade de adaptação constante às situações de jogo e a capacidade de criar dificuldades ao time adversário. Dentro do futebol, a criatividade está relacionada a capacidade do jogador desenvolver algo novo e que proporcione a ele e a sua equipe algum tipo de vantagem dentro do jogo.

O atleta criativo elabora jogadas inéditas que sequer foram imaginadas por outros atletas, para resolver um problema dentro de uma ação esportiva. Nem sempre os atletas criativos destacam-se em sua modalidade pela sua produtividade propriamente dita, pois muitas vezes as jogadas criativas são bonitas e plásticas, mas pouco produtivas dentro da perfomance esportiva (SAMULSKI, 2009).

Costa (2004) acredita na possibilidade de formação de um jogador criativo nas categorias de base. Para isso o autor pontua que se faz necessário o desenvolvimento de quatro elementos essenciais no trabalho do professor e/ou técnico com os alunos:
  • Velocidade: Todas as alterações de comportamento que visam maior rapidez no pensamento, no encontro de soluções, na percepção de erros e na decodificação de sinais emitidos durante os jogos caracterizam a velocidade no mecanismo de tomada de decisão do movimento. Ou seja, capacidade de receber um estímulo e executar rapidamente uma resposta motora adequada. Nos esportes coletivos os jogadores possuem variados objetivos a atingir ao longo do jogo, onde as ações e movimentações dos adversários em relação a trajetória da bola, deslocamentos e habilidades individuais não são lineares, sendo de fundamental importância que o jogador seja capaz de no menor tempo possível selecionar, num caos de informações, aquelas que lhes são mais úteis para tomar a decisão correta (GARGANTA, 2001).

  • Antecipação: Processo de resposta motora em função da ação do próprio jogador, do companheiro de equipe ou em função da ação do adversário. Isto implica dizer que durante todos os momentos do jogo o jogador deverá observar as ações de seus companheiros e adversários e, com base nestas, tomar decisões no intuito de executar uma resposta motora adequada que lhe permita se antecipar e deste fato tirar grande vantagem.

  • Versatilidade: Um jogador versátil é aquele que executa com relativa perfeição os diversos fundamentos técnicos do esporte. Ao estimular a formação de um jogador versátil o professor estará contribuindo para que o mesmo forme em seu vocabulário motor uma base definida de movimentos para a estrutura de desempenho de uma modalidade esportiva; com certeza isto lhe trará grandes contribuições como futuro atleta de rendimento esportivo.

  • Universalidade: Falar em desenvolver um jogador universal significa um jogador que, nas ações técnicas e táticas ofensivas e defensivas de um esporte, sabe jogar bem em todas as posições.
Samulski (2009) propõe diversas formas de estimular a criatividade em jogadores de futebol, dentre elas estão:

– Não “engessar” o esquema tático. Lembre-se de que é preciso explorar as potencialidades e as características individuais de seus jogadores.

– Reservar um espaço no treinamento para ensinar e estimular os jovens atletas a realizar alguns fundamentos técnicos pouco comuns durante uma partida. Por exemplo: finalizações através da técnica de voleio, “bicicleta” e dribles especiais (como por exemplo: “chapéu” e “elástico”).

– Sempre que possível, apresentar para os atletas vídeos com imagens selecionadas de atletas executando jogadas criativas (por exemplo, seleção dos mais belos gols do campeonato, cobranças de falta perfeitas, etc.).

– Armar esquemas e situações táticas que valorizem o jogo ofensivo e busca constante pelo gol, sem dispensar a necessidade de marcação quando não se tem a posse de bola.

E pra você, leitor, quem é o atleta que você considera criativo? Você concorda que a criatividade pode ser desenvolvida em um atleta? Dê sua opinião aqui também!

Saudações tricolores!

Raísa Lobato
Psicóloga

CRP 06/109459

Referências Bibliográficas:
COSTA, A. J. S. A formação do jogador criativo na iniciação e formação aos esportes coletivos: 4 elementos essenciais que precisam ser desenvolvidos no trabalho do professor e/ou técnico com os alunos. Revista virtual EF Artigos – Natal/RN  vol. 1 n. 20. – Fev. 2004
GARGANTA, J. O desenvolvimento da velocidade nos jogos desportivos colectivos. Revista Digital. Buenos Aires. Ano 6  n. 30 – Fev. 2001
SAMULSKI, D. Psicologia do Esporte, conceitos e novas perspectivas. 2 ed. Editora Manole, 2009