Depois da eliminação do Campeonato Paulista, o que mais se ouve é: “Copa do Brasil é obrigação!”.
O próprio Luís Fabiano declarou: “O grande objetivo da temporada é a Copa do Brasil, que dá vaga na Libertadores. É esquecer o Paulista. Não conseguimos bater o melhor time do Brasil no momento e agora é tentar conquistar a Copa do Brasil de qualquer jeito”. Mas e esse conquistar a qualquer custo? E essa pressão de jogar para apagar a derrota do Paulista?
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É comum que atletas de alto rendimento fiquem ansiosos por causa do excesso de pressão e acabem falhando nos momentos decisivos. Um campeonato é reflexo de todo o trabalho desenvolvido por uma equipe, e um jogo pode por “tudo a perder”.
O trabalho do psicólogo do esporte diante dessa situação tem por objetivo tentar minimizar a probabilidade de a equipe falhar, buscando intermédios para diminuir a resposta de estresse característica da situação de pressão.
Um exemplo de intervenção eficiente nesses casos são técnicas de relaxamento que tem o poder de diminuir a tensão muscular causada por situações estressantes.  E, também proporcionar uma melhora da concentração, que pode ser uma grande aliada da equipe nessas horas.
Samulski (2009) acredita que no âmbito esportivo, um bom rendimento está frequentemente ligado à capacidade de concentração na execução de uma ação esportiva.
Weinberg & Gould (2001) definem concentração como “a capacidade de manter o foco de atenção sobre os estímulos relevantes do meio ambiente. Quando o ambiente mudarapidamente, consequentemente o foco de atenção precisa ser mudado também. Pensamentos sobre aspectos irrelevantes podem aumentar a frequência de erros durante a competição. Os autores ainda destacam três elementos essenciais para definir a concentração: focalização de estímulos relevantes; manutenção do nível de atenção durante determinado tempo; e, conscientização da situação.
No futebol, como em todos esportes coletivos, o jogador precisa orientar suas ações externamente, antecipar e selecionar as informações importantes. E, desse modo, manter um bom nível de concentração durante todo o tempo de jogo.
Weinberg & Gould (2001) pontua que as distrações internas e externas podem influenciar na atenção e concentração do atleta durante o jogo. As distrações internas incluem: a realização de um jogo sob pressãopsicológica, atenção voltada para eventos passados ou futuros, pensamentos negativos ou irrelevantes e preocupações. Distrações externas são de origem acústica (por exemplo, gritos da torcida) e visual (por exemplo, prestar a atenção em amigos e familiares durante o jogo).
Os autores Weinberg & Gould (2001) propõem algumas diretrizes para melhorar a capacidade de concentração:
– Simular condições de competição no treinamento (simulation training): simular o barulho da torcida ou um treinamento técnico em presença de estímulos perturbadores.
– Usar palavras-chave (cuewords): durante a competição utilizar palavras que façam com que o atleta mantenha um bom nível de atenção como, por exemplo: “força”, ou outra palavra que seja significativa para o atleta.
– Estabelecer rotinas de comportamento (competitive routines): essas rotinas podem reduzir o nível de ansiedade, eliminar fatores que podem distrair o atleta e aumentar o nível de concentração.
Desenvolver planos de competição (competition plans): esses planos podem auxiliar o atleta a manter o nível de atenção durante a competição na tarefa que ele tem a realizar.
– Praticar o controle visual (visual control): no futebol, por exemplo, o jogador precisa da capacidade visual de focalizar a atenção em estímulos visuais relevantes (a bola ou o jogador do time adversário) e evitar distrações (com a torcida, por exemplo).
– Permanecer concentrado em situações presentes (focusing): evitar, por exemplo, pensar na derrota do jogo anterior.
Saudações tricolores!
Raísa Lobato
Psicóloga
CRP 06/109459
Referências Bibliográficas:
SAMULSKI, D. Psicologia do Esporte, conceitos e novas perspectivas. 2 ed. Editora Manole, 2009
WEINBERG, R. & GOULD, D. Fundamentos da Psicologia do Esporte e Exercício. 2ed. EditoraArtmed. 2001