Essa semana foi veiculado um vídeo dos bastidores do jogo entre São Paulo e Ponte Preta pela Copa do Brasil. Nesse vídeo o goleiro Rogério Ceni, lesionado, aparece motivando o time. A liderança do jogador é uma característica forte em sua personalidade, e que vem sendo observada há tempos através da sua postura e das suas atitudes. Na coluna dessa semana dissertarei sobre esse fenômeno chamado liderança que promove tanta diferença em esportes coletivos.
O futebol, ou ainda, o esporte profissional de maneira geral exerce grande cobrança em cima dos atletas e da comissão técnica advinda de diversos lados: dirigentes, torcida, patrocinadores e imprensa. Além dessa árdua cobrança, há a questão da pressão característica do esporte de alto rendimento. Diante desse espectro, a figura de um líder pode ser essencial no que se refere ao alcance das metas de trabalho propostas e também ao equilíbrio necessário para o atingimento das mesmas.  
Em qualquer ambiente que formos observar, bem como o esportivo, sempre encontraremos uma pessoa que se destacará entre as demais, que ao falar é ouvida pelos outros, que sugere ou aponta uma direção a ser tomada e tal orientação é aceita. Isso ocorre pelo fato da pessoa ser vista como uma líder.
Hersey e Blanchard (1974) definem a liderança como um processo de influência nas atividades de um indivíduo ou de um grupo, para a realização de um objetivo em determinada situação. O líder tem o papel de influenciar as pessoas de modo a convencê-las a trabalhar em prol de um objetivo traçado.
Leitão (1999) coloca que o conceito de liderança está relacionado ao de personalidade, ou seja, o líder é definido como o indivíduo que possui o maior número de traços desejáveis de personalidade e caráter.
Stogdill (1974 apud BERGAMINI 1994) propõe algumas características de um líder:
– forte busca de responsabilidade e perfeição na tarefa;
– vigor e persistência na perseguição dos objetivos;
– arrojo e originalidade na resolução de problemas;
– impulso para o exercício da iniciativa nas situações sociais;
– autoconfiança e senso de identidade pessoal;
– desejo de aceitar as consequências da decisão e ação;
– prontidão para absorver o stress interpessoal;
– boa vontade em tolerar frustrações;
– habilidade para influenciar o comportamento de outras pessoas e;
– capacidade de estruturar os sistemas de interação social em prol dos objetivos em jogo.
Dentre as diversas tarefas complexas que um líder deve exercer está a de extrair da sua equipe o melhor de cada membro. Por essa razão é indispensável que o atleta que assuma a postura de líder tenha um bom relacionamento com os colegas de equipe, e dessa forma exerça uma liderança efetiva naquele grupo.

Como já foi pontuado, no vídeo referido no início da matéria é notável que o Rogério Ceni utiliza-se de seu discurso para motivar os jogadores que estavam prestes a entrar em campo para aquele jogo tão decisivo. 
A motivação é um dos componentes mais interessantes e complexos no processo de liderança. Ela é o componente subjetivo da ação. O indivíduo pode possuir inúmeras competências que o habilitem à realização de tarefas, porém, a motivação determinará o grau de envolvimento e, muitas vezes, a qualidade com que a tarefa será cumprida. (SAMULSKI, 2009)
O discurso de um líder com certeza pode gerar bons resultados, mas existe um ponto mais importante ainda: as atitudes desse líder. É fundamental que o que o líder fala aos seus colegas de equipe sejam congruentes com as suas atitudes no dia-a-dia. É o que Michael Jordan coloca em seu livro como “liderar pelo exemplo”. O jogador de basquete consagrado pelo seu desempenho espetacular escreve um capítulo em seu livro destinado à essa temática e pontua que em sua vida como atleta sempre buscou agir de forma coerente com o que ele pregava, vestindo ou não a camisa do seu time, preocupava-se em mostrar retidão em seu comportamento.
Por fim, nota-se que o líder tem grande relevância em um time, e uma liderança efetiva pode contribuir de forma positiva para o desenvolvimento e o desempenho da equipe.
Saudações tricolores,
Raísa Lobato
Psicóloga
CRP 06/109459

Referencias bibliográficas:
BERGAMINI, C. W. Liderança: Administração do sentido. São Paulo: Atlas, 1994.
HERSEY, P.; BALANCHARD, K. H. Psicologia para Administradores: A Utilização de Recursos Humanos. 2 ed. São Paulo: EPU, 1974.
JORDAN, M. Nunca deixe de tentar. Rio de Janeiro: Sextante, 2009
LEITÃO, J. A relação treinador-atleta: percepção dos comportamentos de liderança e de coesão em equipas de futebol. (Tese de doutorado). Coimbra: Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física, Universidade de Coimbra, 1999.
SAMULSKI, D. Psicologia do Esporte, conceitos e novas perspectivas. 2 ed. Editora Manole, 2009