Na estreia da coluna que vai trazer aos leitores artigos relacionados à Psicologia do Esporte, nada mais justo do que iniciá-la explicando um pouco sobre o que vem a ser essa ciência e a atuação do profissional dessa área.

Muito vem se falando dos grandes eventos que serão sediados no Brasil: a Copa do mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Com isso, crescem os interesses a tudo que circunde a realidade esportiva. Diante disso, vem se desenvolvendo uma “nova” área de conhecimento e atuação, a Psicologia do Esporte. Esta área tem seus estudos iniciados há algum tempo, porém ainda está na conquista do seu espaço.
 A Psicologia do Esporte apresenta-se como uma ciência que busca compreender o comportamento humano dentro do ambiente esportivo.
Segundo Nitsch (1986 apud SAMULSKI, 2009) a função do psicólogo do esporte envolve a “descrição, a explicação e o prognóstico de ações esportivas”, objetivando a aplicação e o desenvolvimento de programas de intervenção, em busca da otimização do desempenho dos atletas, respeitando os princípios éticos.
Essa ciência tem como propósito não só atender as demandas dos atletas de alto rendimento, mas atender também àqueles que praticam atividade física sem o objetivo de competir. Weinberg & Gould (1999 apud SAMULSKI, 2009) pontua que os psicólogos do esporte devem entender e ajudar os atletas de elite, crianças, atletas jovens, atletas portadores de limitações físicas e mentais, idosos e pessoas que praticam atividade física em seu tempo livre. Ou seja, pressupõe-se que onde houver pessoas praticando algum esporte haverá campo de atuação para o profissional psicólogo do esporte.
Existe alguns equívocos que vale a pena ser comentado. Muitas vezes o psicólogo é visto como um “mágico” que vai resolver as situações mais conflitantes num piscar de olhos, ou até como “bombeiro” que vai apagar o incêndio em que a situação se transformou. Como todo profissional, o psicólogo precisa ter tempo hábil para trabalhar com o atleta ou a equipe, acompanhando a rotina da equipe não só nas vésperas de um torneio decisivo ou quando houver um problema, mas sendo parte integrante de sua comissão técnica. A preparação psicológica deve ser vista como um processo, bem como a preparação física, técnica e tática. Ou seja, ela é apenas um dos pilares que formam a preparação global do atleta. Cada uma dessas especificidades deve ser reconhecida com sua devida importância, visto que juntas contribuem para a obtenção de melhores resultados ao atleta e à equipe.
Samulski (2009) coloca que os principais objetivos do treinamento psicológico são:
  1.  Desenvolver as capacidades psíquicas do rendimento;
  2.  Criar um bom estado emocional durante os treinos e as competições;
  3.  Desenvolver uma boa qualidade de vida dos atletas, técnicos e outras pessoas envolvidas no esporte.
É importante também salientar que existe uma diferença entre a Psicologia do esporte e a Psicologia clínica. Estas são duas especialidades diferentes, bem como as estratégias de intervenção utilizadas. A psicologia do esporte é voltada para o atleta ou praticante de atividade física e tem o foco em sua performance, trabalhando os aspectos que a influenciam. Em contrapartida, a psicologia clínica trabalha o desenvolvimento e o bem-estar psíquico do indivíduo com um foco alinhado a subjetividade que ele apresenta.
Acredito que nesse início de conversa tenha dado para perceber o quanto o trabalho do psicólogo do esporte é vasto. Espero que vocês tenham gostado e caso tenham alguma crítica ou sugestão só deixar nos comentários.

Saudações tricolores!

Raísa Lobato
Psicóloga
CRP 06/109459

Referência Bibliográfica:
SAMULSKI, D. Psicologia do Esporte, conceitos e novas perspectivas. 2 ed. Editora Manole, 2009