No mês de Abril, estaremos colocando matérias especiais comemorando o ANIVERSÁRIO DO CANAL SÃO PAULINDAS! São 3 anos acompanhando, opinando e principalmente apoiando o Tricolor, e o sucesso que conseguimos até hoje se dá graças à vocês, leitores! OBRIGADA! 

Elas são mulheres, são bonitas, inteligentes e manjam de futebol, assim como nós da equipe do São Paulindas!
O time formado por Cíntia Barlem, Débora Vives, Jessica Mello e Tati Lopes comanda o blog Donas do Campinho, dentro do site globo.com. Quem não conhece a página, vale a pena visitar. Os posts englobam os mais diversos assuntos dentro do futebol mundial.
As meninas postam seus pitacos sobre as rodadas nacionais e internacionais e também divulgam notícias extra campos dos craques. Conteúdo de primeira linha feito SÓ por mulheres. 

Mandamos algumas perguntas para o quarteto que nos respondeu gentilmente. Confira abaixo o que as meninas têm a dizer sobre futebol e outras peculiaridades do tema:

1) Qual o nome completo, idade e profissão de cada uma 
Cíntia Barlem, 33 anos, jornalista
Débora Vives, 24 anos, jornalista
Jessica Mello, 23 anos, jornalista
Tatiana Minussi Lopes, 27 anos, jornalista.

2) O blog “Donas do Campinho” existe há quanto tempo? Como surgiu a ideia de criá-lo? 
Cíntia: O Donas do Campinho foi criado em 8 de março de 2011. A ideia foi abrir um espaço feminino no GLOBOESPORTE.COM para que as mulheres também pudessem acessar e debater ideias e também para que os homens tivessem mais proximidade com o mundo feminino em relação ao futebol.

3) Vocês eram amigas antes do blog acontecer? 
Cíntia: Sim, e veio a oportunidade de todas estarem no mesmo veículo
DÉBORA: Sim, além de já termos trabalhado na mesma redação anos atrás.
Tati: Conheci a Cíntia no outro site em que eu trabalhava, no clicRBS, em Porto Alegre. Ela já trabalhava lá quando comecei. Entrei em 2005 e, em 2006, criamos um blog parecido com o Donas do Campinho. A Cíntia saiu pouco depois, e depois de um tempo também saí. Continuamos amigas, e nos encontramos novamente na mesma empresa em 2011. E aí entrei para o Donas com ela. A Jessica entrou no clicRBS depois de a Cíntia ter saído. Eu ainda estava lá e ela também fez parte do blog do site. Hoe estamos todas juntas na Globo.com, mas a Cíntia no Rio e eu e a Jessica em Porto Alegre.

4) Qual o time do coração de cada uma? 
DÉBORA: Vamos lá… essa é difícil e quase ninguém aceita a situação: meu coração é 75% Flamengo e 25% Grêmio. Até vir para o Rio eu era tricolor, mas não tão fanática como agora. O amor e a raça da torcida rubro negra me conquistaram de primeira!
Tati: Não vou dizer, aqui no Sul esse tipo de coisa é meio complicado!

5) Sempre gostaram de esportes? Futebol era uma unanimidade? 
Cíntia: Sempre gostei de esporte e mais especificamente de futebol. Trabalhar com isso acaba até sendo um ‘hobby’.
DÉBORA: Sim, sempre. Futebol sempre foi meu preferido, inclusive, joguei durante alguns anos, mas não em clubes. Gostava muito de jogar e não descarto a possibilidade de voltar a praticar.
Jéssica: Futebol era uma unanimidade? Sim, desde criança acompanhava futebol e a paixão foi crescendo conforme fui passando a entender mais sobre o esporte e a acompanhar com mais frequência.
Tati: Sempre. E futebol sempre foi meu esporte preferido. Comecei a assistir com meu pai. Ele que me levava ao estádio quando era criança. Jogava no colégio e na rua com os amigos. Até hoje tento jogar com as amigas, quando arrumo um tempinho.

6) Os posts do blog mostram o outro lado da vida do jogador de futebol. Como vocês tem acesso às informações da vida pessoal dos caras? 
Cíntia: Acessamos as informações através de sites estrangeiros, pesquisa, entrevistas com os próprios jogadores. Mas também comentamos alguns jogos e damos nossos pitacos sobre os times.
Tati: Basicamente através de assessores, com quem mantemos contato diariamente. Eu não sou mais setorista (trabalhava cobrindo o Grêmio em Porto Alegre). Quando era, tinha contato mais direto com os jogadores, e ficava mais fácil também.

7) Existe uma divisão de trabalho na hora da postagem? Como é definido quem posta o quê? 
Cíntia: Não existe uma divisão. Uma de nós vê algo interessante e avisa às outras. Em pautas mais trabalhadas, dividimos as tarefas de cada uma.


8) O meio futebolístico ainda é predominante masculino, seja por quem pratica ou trabalha com o tema. Vocês já sofreram algum preconceito por serem mulheres e trabalharem em um meio repleto de homens? 
Cíntia: Há alguns anos era mais complicado, pois alguns homens achavam que o mundo do futebol era algo feito pelos homens para o público masculino. Mas tivemos mudanças nesse cenário. As mulheres são bem mais aceitas e já não é mais ‘estranho aos olhos’ vermos o público feminino envolvido com o futebol. Podemos dizer que as mulheres romperam barreiras e conquistaram seu espaço. Mas queremos mais (risos).
DÉBORA: Não, pelo contrário. Pela pouca experiência que tenho, vejo que os homens se interessam pela visão feminina, dividem o espaço e gostam de ver como a gente aborda ou trabalha com o assunto.
Jéssica: Sempre rola um preconceito, principalmente com quem não sabe exatamente tudo o que a gente faz. Às vezes olham os posts apenas com bastidores e acham que a gente tá ali só pra fazer fofoca, mas o blog tem muito mais do que isso, tem nossas opiniões de jogos, nossos debates… Além de tudo o que a gente faz no dia a dia, além do blog.
Tati: Sim, no início foi complicado, até conseguir mostrar que tu estás ali no estádio para fazer um trabalho sério e que tu tens condições de cobrir futebol como qualquer repórter homem não é muito rápido. Até conseguir entrevistas, informações exclusivas é bem mais complicado no início.

9) O futebol feminino vem crescendo, mas ainda não conquistou público suficiente. O que é preciso fazer ou mudar para que o futebol feminino e as competições para as mulheres tenham mais notoriedade e importância? 
Cíntia: Acredito que o futebol feminino não deve ser visto primeiramente como uma fonte de lucro. É ainda algo que precisa ter uma aposta e um trabalho em cima. Um exemplo é o time de futebol feminino do Santos. Foi abraçado pelo jogadores do masculino. Além disso, foram contratadas jogadoras famosas como Marta. Mas é um trabalho a longo prazo. Os resultados também chegam a longo prazo. O que falta para alguns clubes brasileiros é paciência. O imediatismo toma conta em algumas situações.
Tati: Precisa começar do início, eu diria. Mais divulgação, mas investimentos, principalmente, apoiar competições, contar com a televisão. E tudo isso é muito complicado. Ainda mais aqui no Brasil. Uma influência política, alguma figura mais conhecida, mais influente, talvez pudesse melhorar esse quadro.

10) Qual momento futebolístico mais marcou a vida de vocês? (pode ser do próprio time ou de outros)
Cíntia: Meu momento mais marcante foi a conquista da Copa de 1994. Ainda era criança e fui acompanhar de perto nos EUA. A conquista me deixou um pouco mais próxima da Seleção assim como todos os brasileiros que não viam o Brasil conquistar uma Copa há tempos.
Tati: Título da Copa do Mundo de 1994. Eu tinha 9 ou 10 anos, época em que era fanática por futebol. Chorei, pulei, gritei, lembro até hoje! Estava com a família na casa da minha avó materna. Foi marcante. Emoção como aquela com a Seleção Brasileira nunca mais senti..

11) Qual jogador de futebol que cada uma mais admira e por quê? (podem escolher mais de um) 
Cíntia: Atualmente admiro muito Messi. É um jogador fora de série como há muito tempo não tínhamos. Mas além dele, cito também um técnico, Guardiola, por ter inovado na forma de jogar futebol. Não só o treinador, mas também a nova ‘escola’ que o Barça proporcionou. Temos um marco hoje em termos de administração e futebol no mundo.
Jéssica: No momento atual, não tem como não citar Lionel Messi. É o maior e mais completo jogador do mundo hoje, dribla, marca, cria, faz gol de tudo quanto é jeito. Craque. Mas sou muito fã do Maradona, que além de ter sido um jogador excepcional tanto na seleção da Argentina quanto nos times pelos quais atuou, também representa – até hoje como técnico – um pouco da irreverência, da espontaneidade, e até da brincadeira, que me parece faltar um pouco no futebol de hoje.
Tati: Messi, Ibrahimovic, Suárez

12) Acham que o Brasil está preparado para receber uma Copa do Mundo? Como acreditam que será a competição em nosso país? 
Cíntia: Acredito que ainda falta um longo caminho a ser percorrido, mas podemos fazer uma competição organizada. Basta os administradores levarem a sério a tarefa e também a população brasileira. Todos podem dar sua parcela. Em termos de Seleção Brasileira, acredito que não chegamos entre os favoritos mesmo jogando em casa. Ao meu ver, Espanha e Alemanha são as favoritas.
Tati: Acho que vamos enfrentar vários problemas, principalmente com a mobilidade nas cidades. Porto Alegre é um exemplo. Obras estão atrasadas e é preciso melhorar muita coisa. Em dias de evento grandes a gente vê um certo caos. Faltam táxis, ônibus lotam ainda mais… Em dias de chuva forte várias ruas alagam. Muita coisa precisa ser feita.

13) Qual o técnico de futebol que mais admiram e por quê? 
Cíntia: Como coloquei acima é Guardiola pela nova forma de jogar futebol que conseguiu colocar em prática.
Jéssica: José Mourinho. Técnico vitorioso por todos os times pelos quais passou, mas anda enfrentando um pouco de dificuldades hoje no Real Madrid por ter um Barcelona pela frente como principal adversário. Apesar de ter cometido alguns deslizes nessa reta final do campeonato espanhol e ter diminuído a diferença pro Barça, não acredito que deva deixar escapar esse título.
Tati: Eu gosto muito do José Mourinho, cara inteligente, e também uma figura que chama atenção pelo jeito meio “louco” dele. Mas de uns tempos pra cá ele mudou um pouco, ficou meio teimoso e “respondão”, por vezes até mal educado nas entrevistas. Então, posso votar também no Pepe Guardiola, também muito inteligente, enxerga bem o jogo. Claro que ele tem um grupo que ajuda muito, o Barcelona mantém um estilo de jogo desde a base e todos se entendem. Mas ele é um baita técnico.

14) De onde vem a paixão que cada uma tem pelo futebol? Vem de família? 
Cíntia: Virei parceira desde pequena de assistir ao futebol com meu pai já que meu irmão não curtia tanto. Surgiu daí a paixão.
DÉBORA: Não, a paixão apareceu por ser brasileira e gostar do esporte mesmo! Quer coisa mais bonita do que uma torcida fazendo festa no estádio em comemoração a um gol? APAIXONANTE!
Tati: Vem de família

15) A primeira Copa do Mundo que acompanhamos com afinco sempre marca a vida de uma criança. Qual Copa é inesquecível para vocês? 
Cíntia: 1994
Tati: 1994


16) O perfil do leitor do blog de vocês é mais feminino ou masculino? Por que acreditam atrair mais este tipo de publico? 
Cíntia: O público é bem dividido. Algumas pessoas acham que por sermos mulheres iremos atrair mais o público feminino. Mas é bem dividido, o que mostra que conseguimos abrigar todas as linguagens.

17) Vocês são contra ou a favor das torcidas organizadas? Qual é a função destes torcedores dentro do clube, na opinião de vocês? 
DÉBORA: Sou a favor da torcida organizada, mas que exista sem proclamar violência e desordem. Acredito que isso seja totalmente possível!

18) A torcida feminina está cada vez mais presente nos estádios. E vocês, costumam frequentar os gramados? 
Cíntia: Somente a trabalho
DÉBORA: Menos do que eu gostaria. Vou mais em clássicos, finais de campeonato. Gosto mesmo é de assistir aos jogos em casa, com os amigos, fazendo um bom churrasco.
Tati: Não frequentei mais, só a trabalho, mas tenho vontade de assistir a mais jogos no estádio.

19) Acham que o futebol brasileiro ainda é o melhor do mundo? Qual outra seleção vocês acham que merece nossa atenção? 
Cíntia: Já deixou de ser o melhor do mundo, mas sempre terá potencial para voltar ao status de número 1.
DÉBORA: Acho que minhas próximas palavras respondem as outras perguntas: Meu forte é falar do “extra campo”, do que os jogadores fazem e por onde andam fora dos gramados 🙂
Jéssica:  Hoje o futebol brasileiro não é mais o melhor do mundo, especialmente quando se fala em seleção. Minhas apostas para o título de 2014 são Alemanha e Espanha, as duas jogam um futebol parecido, de toque de bola, ofensividade.
Tati: Temos jogadores que estão entre os melhores do mundo, alguns aqui, alguns fora daqui. Mas o futebol espanhol e o alemão, principalmente, na minha opinião, cresceram muito. Jogadores de qualidade, que fazem suas seleções serem muito fortes atualmente.

20) Qual é o recado ou dicas que vocês deixam para as meninas que gostariam de trabalhar com futebol, como vocês? 
Cíntia: Que não desistam de buscar seu espaço. Pode parecer complicado algumas vezes, mas com esforço se chega onde se quer.
DÉBORA: Simples: Sigam em frente. Nada as impede. Também mandamos bem nos “campinhos” de futebol.
Jéssica: Estudar, estudar e estudar! E ver muito jogo de futebol.
Tati: Trabalhar com seriedade e mostrar que é uma profissional que merece respeito. Porque é muito comum verem uma mulher e já relacionarem a maria-chuteira, mesmo sendo jornalista. O jeito de se vestir nos estádios também é um detalhe a ser cuidado. É nas pequenas coisas que a gente começa a ganhar respeito. E de resto, estudar, ler, assistir a jogos, acompanhar, estar por dentro de tudo o que acontece no esporte. Quem trabalha com esporte tem de se dedicar 24 horas por dia, principalmente quem é setorista, como eu fui.

21) É comum ver na TV muitas mulheres participando das famosas “mesas esportivas”, opinando sobre os jogos. Qual a jornalista feminina que vocês mais gostam e por quê? 
DÉBORA: Cíntia Barlem, Tati Lopes e Jéssica Melo (risos).

22) Para vocês, quem é o jogador mais completo e craque da atualidade e por quê? 
Cíntia: Messi
Jéssica: Messi, sem dúvidas, não é a toa que foi eleito o melhor do mundo nos últimos três anos. Claro que no Barcelona conta com o auxílio de outros craques como Xavi e Iniesta, mas mesmo na seleção argentina, onde não consegue ter o mesmo brilho que no time catalão – até por falta de qualidade técnica na equipe -, Messi já mostrou que pode ser decisivo várias vezes. Ele dribla, cria, não desiste de jogada, faz gols espetaculares.
Tati: Messi.

23) Qual é a atleta mulher mais importante do Brasil? 
Cíntia: Marta Jéssica: No futebol, a Marta, claro. Ser eleita melhor do mundo por cinco vezes é para poucas. Pena que o Brasil ainda não faz grandes investimentos no futebol feminino e não conseguiu manter nossa craque de bola por muito tempo por aqui.
Tati: No futebol? A Marta por ser a melhor do mundo.

24) O jogador de hoje é muito diferente daqueles que jogavam há anos atrás. Vocês acreditam que o amor pela camisa não existe mais? Conseguem citar alguns jogadores como exemplo para ilustrar a ideia de que ainda existe jogador que atua por amor ao clube? 
DÉBORA: Infelizmente, tá difícil de ver alguém atuar só pelo amor à camisa hoje em dia…
Jéssica: Não é apenas o jogador que é diferente das outras épocas, o futebol em geral mudou. Hoje tem muito mais dinheiro envolvido, grandes negociações, marketing… Mas claro que existe amor à camisa. Temos dois exemplos clássicos em dois times paulistas, Rogério Ceni no São Paulo e Marcos (agora já aposentado) no Palmeiras. Certo que goleiros costumam ficar mais tempo nos clubes, mas igual, os dois citados fizeram história em seus respectivos clubes e são ídolos nos dois há 20 anos.
Tati: Não digo por amor ao clube, mas jogador que se dedica tem sim. Mudou, é verdade, mas tem jogador comprometido.

25) Hoje em dia, o jogador de futebol se tornou um personagem. Corrente pesada de prata no pescoço, brinco de strass na orelha, celular na mão e etc… Acha que esse comportamento dos jogadores prejudica a imagem ou o desempenho deles dentro dos gramados? 
Cíntia: Acho que não afeta. Basta o jogador saber regular sua vida profissional e pessoal. Há como conciliar.
Tati: Não, desde que o que eles fazem fora de campo não atrapalhe dentro dele.

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Créditos fotográficos: Donas do Campinho / Divulgação