Só a titularidade desta mulher é capaz de deixar muito marmanjo de boca aberta. Vejam só: Professora associada da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP), psicóloga do esporte e autora, entre outros livros, de “O atleta e o mito do herói”, “Heróis Olímpicos brasileiros”, “As mulheres e o esporte olímpico e “Joaquim Cruz: estratégias de preparação psicológica – da prática à teoria”. Além de profissional, é também esposa, é mãe e acima de tudo, MULHER! 

Trata-se de Katia Rubio, responsável pela supervisão do núcleo social do Centro de Formação Laudo Natel, em Cotia. E lá onde o São Paulo Futebol Clube revela e forma jogadores em uma completa estrutura esportiva. Katia trabalha diretamente com os profissionais do CFA (assistente social, psicólogos e pedagogos), orientando-os sobre como atuar diretamente com os meninos do nosso Tricolor.

Em um meio onde o sexo masculino ainda é maioria, Katia conseguiu seu espaço com muita dedicação e atualmente tem seu trabalho reconhecido por diversas autoridades do esporte. A psicóloga que já recebeu a Medalha do Mérito Desportivo pelas mãos do ex presidente Lula concedeu uma gentil entrevista ao portal SPFC1935, contando um pouco sobre sua carreira, seu trabalho, vida pessoal e também sobre o papel que a mulher exerce dentro do esporte. Confira!

SP35: Sua primeira graduação foi em jornalismo. Por que decidiu trocar a comunicação pela psicologia? 

Katia Rubio: Eu fiz jornalismo com a ideia de ser jornalista esportiva. O esporte estava em minha vida desde a infância e era impossível expulsá-lo ou negá-lo. Mas, as ciladas da vida me levaram para a propaganda onde fiquei por quase 10 anos, chegando inclusive a ser sócia de uma agência. Mas, o plano Collor fez o favor de me levar ao desencanto depois de perder clientes, projetos e dinheiro. Achei que aquele era um sinal para mudar radicalmente de vida e fazer aquilo que meu coração mandava. Foi então que resolvi nunca mais trabalhar com nada que não fizesse muito sentido para mim. Busquei a psicologia porque achei que ali estava o meu coração. E na psicologia encontrei o caminho de volta para o esporte através da Psicologia do Esporte.

SP35: Hoje em dia é possível ver muitas mulheres falando de esporte na TV (seja como apresentadora ou repórter). Por que acha que elas estão ganhando destaque? 

Katia Rubio: Porque a sociedade brasileira está mudando e as mulheres também. Embora pareça que não há preconceito, nem discriminação contra as mulheres, sabemos o quanto isso não corresponde à verdade. E isso no esporte se multiplica, uma vez que historicamente o esporte se constitui como um cenário de demonstração de habilidades física e força, atributos tomados como masculinos. E nas duas últimas décadas as mulheres começaram a invadir essa área com a mesma competência que demonstraram em outras atividades sociais. Elas se apropriaram da linguagem do esporte, um código também essencialmente masculino. Enfim, mostramos que era uma questão de formação, de capacitação. O acesso aos meios certificou nossa competência. 

SP35: Acha importante que o curso de jornalismo exija diploma? Qual a sua opinião sobre isso? 

Katia Rubio: Minha turma foi a primeira no jornalismo a precisar de diploma para trabalhar, mas não acredito que o curso tenha me ensinado a escrever. Entendo que hoje, longe do jornalismo, escrevo muito melhor que no passado. E o que me faz escrever melhor é o acesso à informação, mas principalmente a uma formação geral, cultural privilegiada. E, infelizmente, o curso de jornalismo não me deu isso. 

SP35: O esporte sempre foi algo forte em sua vida? Sempre gostou de futebol? Qual modalidade mais gosta de acompanhar? 


Katia Rubio: Eu era uma criança hiperativa e adorava desafios. O esporte caia como uma luva para toda aquela inquietação. Via tudo o que era possível na TV, mas não lembro de programas esportivos, exceto jogos de futebol até os anos 80. Lembro com detalhes da Copa do Mundo de 1970, das comemorações, o fato de não ter aula na segunda-feira. Quando houve o ”boom” do voleibol e a Rede Bandeirantes se destacou como uma emissora voltada para o esporte, eu costumava passar o domingo assistindo a tudo que era apresentado. 



SP35: Seu trabalho é elogiado por muita gente. Depois de muito estudo e dedicação, o reconhecimento que tem como profissional era esperado? Acha que falta conquistar algo? 

Katia Rubio: Entendo que o reconhecimento é o resultado de um trabalho que faço com paixão, respeito e ética. Embora não tenha sido jornalista esportiva como desejei no princípio, consegui voltar ao esporte e contribuir para o seu desenvolvimento a partir de quem o faz ser o fenômeno que ele é: os atletas. Não sou idólatra e por isso busco resgatar a história de vida dos atletas brasileiros para poder interpretar o que ocorre no presente. Entendo que eles, mais do que qualquer documento, podem nos fazer entender o que é o esporte no Brasil para se criar um projeto de intervenção para o seu desenvolvimento e aprimoramento. 


SP35: Como mulher, você sofreu algum preconceito na profissão por trabalhar em um meio considerado masculino (futebol)? Qual a maior dificuldade que encontrou? 

Katia Rubio: Eu atuo como psicóloga do esporte há 17 anos e curiosamente trabalhei muito mais com times masculinos do que femininos. Nunca fui desrespeitada por ninguém, fosse atletas, comissão técnica ou dirigente, por ser mulher. Assim como outros profissionais vivi as mazelas políticas do esporte, o jogo de poder, mas não por conta da minha condição feminina. Acredito ter sofrido muito mais dentro da universidade do que nos clubes onde trabalhei. 

SP35: Narre um pouco do seu trabalho (dia a dia) com os meninos da base do São Paulo Futebol Clube.

Katia Rubio: No São Paulo Futebol Clube eu ofereço supervisão para o núcleo social do Centro de Formação Laudo Natel, em Cotia. Esse núcleo compreende o serviço social, tendo a assistente social Mariana Grassia como a responsável pelo setor, a psicologia com os psicólogos Augusto Carvalho e Gabriel de Almeida, e a pedagogia com Daniel Alves. Minha principal função é orientar a intervenção desses profissionais que atuam diretamente com os meninos. 

SP35: O trabalho desenvolvido pelo São Paulo consiste em formar o atleta como profissional e também como pessoa. Na sua opinião, como é possível conscientizar um jogador sobre os possíveis problemas que pode enfrentar ao longo da carreira (lidar com dinheiro, fama, mulheres, contusões, vícios e etc…) 

Katia Rubio: Dando a ele uma formação para além das habilidades físicas. É preciso que os atletas estudem nessa etapa da vida, porque ninguém tem a carreira de jogador profissional garantida, e em caso de sucesso ela se encerra, quase sempre, antes dos 40 anos. Portanto, é preciso se preparar para enfrentar os desafios da vida de atleta, ou do pós-atleta, ou a vida de um cidadão como qualquer outro. A proposta do SPFC é preparar o jovem para ser um grande atleta e isso significa inclusive ser um jogador inteligente, que sabe fazer análise de jogo, que tenha domínio de estratégia, e isso se consegue com desenvolvimento cognitivo. E para isso o estudo é fundamental, não é apenas para se ter um diploma. 

SP35: Existe um modelo de jogador de futebol que é possível servir de exemplo para essa garotada? Quem? 

Katia Rubio: O próprio SPFC tem os modelos para o futebol brasileiro. Atletas como Raí, Rogério Ceni, Kaká, Cafu, agora o Lucas são atletas desejados pelo futebol e representam o tipo de jogador que o clube deseja formar. 


SP35: Acha que os torcedores fanáticos, aqueles que gostam de ameaçar jogador e fazer bagunça influenciam no comportamento e desempenho do atleta – dentro e fora de campo? 

Katia Rubio: O atleta sente, como qualquer ser humano em situação de luta, a necessidade de buscar se defender. Um atleta bem preparado, bem instruído, não se deixa levar por esse tipo de situação. Pressionado ou não ele entra em campo para o exercício da sua profissão que é jogar futebol. E como em qualquer profissão ele tem as responsabilidades de alguém que ganha um salário para fazer bem feito a sua função. É isso o que um clube espera de seu atleta e a torcida também. 


SP35: Sonha em fazer parte da equipe da Seleção Brasileira de Futebol? 

Katia Rubio: Os meus sonhos são construídos no cotidiano do trabalho. Entendo que qualquer proposta, qualquer convocação, é o resultado de um trabalho bem feito. Se um dia eu for chamada a servir a seleção é porque antes disso minha metodologia terá sido avaliada em outras instâncias. Assim como os atletas mostram nos clubes as suas habilidades até chegar à seleção, os demais profissionais que compõem a comissão técnica também passam por esse processo. 

SP35: Acredita que a convocação para a Seleção Brasileira é capaz de interferir no desempenho de um atleta? 

Katia Rubio: É muita responsabilidade para um atleta servir a seleção brasileira. Em um país com quase 200 milhões de técnicos é muito difícil se formar a seleção perfeita, que satisfaça a todas as expectativas. É claro que o atleta sente isso porque ele chega à seleção querendo fazer o seu melhor, trazer mais um título, escrever seu nome na história, fazer parte dos álbuns de figurinhas daquela Copa. E para suportar tudo isso é preciso ter mais que coragem, é preciso ter estrutura emocional. 

SP35: O que acha da gestão do presidente Juvenal Juvêncio? Acha que nesses dois mandatos seguidos, ele conseguiu fazer um bom trabalho para o clube?

Katia Rubio: Imagino que administrar um clube como o SPFC não seja nada fácil. Considerado como o clube mais profissionalizado do país, espelho e referência para o futebol brasileiro e internacional, o SPFC é alvo de muita expectativa pelos títulos que acumulou e que pretende ainda conquistar. Isso faz a torcida do clube ser demasiadamente exigente, pressionando a todo o instante os jogadores e a diretoria para ganhar tudo. E o que a torcida muitas vezes não entende é que entre um campeonato e outro é preciso tempo para ajustar o time, a comissão e, às vezes, esse tempo não é o tempo necessário para a vitória que se avista no placar. Mas há outras vitórias que o clube alcança e que o torcedor não vê: a infraestrutura do clube (como a reforma do estádio, o Centro de Formação em Cotia e o CT da Barra Funda) que é de fazer inveja a qualquer grande clube europeu; a formação das categorias de base; um time profissional consistente que não beija o brasão do time na camisa apenas no dia da contratação. Consigo enxergar a mão do presidente Juvenal em todas essas ações mesmo quando elas não aparecem nos programas esportivos. 

SP35: Técnico de futebol também necessita de acompanhamento psicológico? Acha que ele sofre mais pressão que os jogadores? Como cuidar deste profissional? 

Katia Rubio: É importante entender que o trabalho psicológico é um serviço profilático, preventivo e educativo. Lamento que há quem ainda pense que o serviço de psicologia é destinado a loucos. Todo mundo que vive o ambiente competitivo sabe bem o que é conviver com a necessidade da vitória, seja o técnico, o auxiliar, o médico, o fisioterapeuta, o massagista, o roupeiro, o gerente ou a assistente social. Todos nós trabalhamos para chegar à vitória e quando isso não ocorre há uma frustração muito grande. Entendo que o acompanhamento psicológico é importante para todos que estão nesse time de profissionais que faz o espetáculo esportivo dando o suporte necessário para resistir e superar as exigências da profissão e do ambiente externo. 

SP35: Entre os prêmios que já conquistou, qual deles te deixou mais satisfeita e por quê? 

Katia Rubio: Tenho uma satisfação muito grande em ver processos bem sucedidos. Considero um prêmio, por exemplo, ver um atleta da base chegar ao profissional e se dar bem, se destacar, servir de exemplo para novas gerações. Tomo como prêmio a conquista do índice por atletas que têm a vida marcada por lesões, recuperações, renascimentos para a carreira esportiva e a vitória de conseguir a vaga para estar nos Jogos Olímpicos, como é o caso de dois atletas que acompanho há quatro anos e já estão convocados para Londres. Isso para mim vale mais do que alguns campeonatos. A força da superação, a esperança de que há sempre alguma coisa mais a ser feita e o desejo de ser cada dia melhor. Quando o atleta treina e compete com essa cabeça, e não apenas para ganhar mais dinheiro, é sinal de trabalho bem feito, um grande prêmio. É preciso entender que o dinheiro é o resultado do trabalho e não a sua razão de ser. 

SP35: Você é autora do livro “As mulheres e o esporte olímpico brasileiro”, cite para nós quais são as mulheres – em sua opinião – que fizeram a diferença dentro do esporte. 


Katia Rubio: Considero heroínas muitas das mulheres que fazem o esporte brasileiro, e por isso não posso deixar de citar Aída dos Santos, por toda a discriminação que sofreu e por ter chegado a um 4º lugar em Jogos Olímpicos com sabor de ouro. Jackie e Sandra (do vôlei de praia) pela primeira medalha de ouro em Jogos Olímpico. E as heroínas do futebol feminino, que mesmo sendo desprezadas, esquecidas, ignoradas, humilhadas continuam a ser a grande referência para o esporte no mundo. Se eu pudesse deixar a minha homenagem para atletas mulheres no próximo dia 08 de março eu diria para as autoridades do esporte olharem para elas com mais atenção. Elas ainda não foram reconhecidas por tudo o que fizerem pelo futebol no Brasil e no mundo.

SP35: Como você enxerga que a mulher é tratada no esporte? 

Katia Rubio: A situação tem melhorado e já observamos a equiparação de prêmios e mesmo de espaço na mídia. Mas, em algumas modalidades, como é o caso do futebol, a discriminação ainda persiste, atrasando o desenvolvimento do esporte no Brasil. E isso é lamentável em um país que sediará daqui a dois anos uma Copa do Mundo e daqui a quatro anos os Jogos Olímpicos.

SP35: Acha que o futebol feminino brasileiro pode ter mais espaço no futuro? O que falta para que todos encarem o futebol das meninas com mais seriedade e afinco (como acontece com o vôlei, basquete, tênis…) 

Katia Rubio: Falta profissionalismo, falta gestão, falta superar o machismo que domina a prática e que ainda faz crer a muitos que futebol é coisa “de homem”. Imagino se o futebol feminino tivesse apenas uma parcela diminuta do que o futebol masculino recebe, tenho certeza que teríamos a oportunidade de ter muitas alegrias. 

SP35: Você também é autora do livro “O atleta e o Mito do Herói”. A torcida São Paulina se refere ao goleiro Rogério Ceni como um MITO e o idolatram como tal. Por que acha que ele se tornou um dos maiores nomes da história do time? 

Katia Rubio: Entrevistei o Rogério no ano de 2000 para justamente escrever esse livro. O herói é um ser humano que consegue, dentro da sua humanidade, se destacar da média realizando feitos incomuns. Rogério se destaca dos demais atletas, não apenas do São Paulo, mas do futebol de maneira geral, por ter excedido em muito a média de um goleiro. Recorde pelo numero de partidas jogadas, de tempo de atividade, de gols feitos, de dedicação a um clube, enfim, ele é o atleta símbolo que todo clube gostaria de ter. 

SP35: Que tipo de mito Rogério Ceni se assemelha? Cite alguns atletas que também tem características de mito. 

Katia Rubio: Rogério, assim como outros atletas, é a encarnação do mito do herói. Mas é importante ressaltar que o herói não é apenas aquele sujeito forte e destemido, como foi Hércules. Esse mito se caracteriza pela astúcia que teve Ulisses para conseguir transpor todos os obstáculos e poder voltar para casa depois de tentar por 20 anos. Ele é também Aquiles por ter enfrentado tantas batalhas, vencido tantos adversários, mas ter um ponto fraco, manifestado nesse momento em seu ombro. E, sendo hoje o jogador mais velho, ele passa a ser também a referência para os mais novos, quase um mestre, assim como foi Quíron, o grande mestre dos heróis. 


SP35: Acha que o Brasil e os nossos atletas estão preparados para receber uma Olimpíada? O que é preciso trabalhar para que nossos eles façam uma boa competição e alcancem bons resultados? 

Katia Rubio: Falta a educação necessária para ser campeões. Isso não quer dizer apenas treinamento. Isso já está sendo feito e em algumas modalidades e eu diria muito bem feito. O atleta além de treinar muito, fazer uma preparação física e técnica bem feita ele tem que ser educado para acreditar que tudo aquilo o faz ser tão bom quanto são os europeus ou americanos. O atleta brasileiro é habilidoso, trabalhador e muito motivado, mas muitas vezes o entorno não o faz crer que ele possa estar entre os melhores. É preciso preparar também a equipe técnica para que ela seja motivadora o suficiente para virar esse jogo.

SP35: Por que os americanos são preparados para vencer. O que eles tem de melhor que a gente e onde precisamos evoluir para nos tornarmos vencedores? 

Katia Rubio: Esse é um dado de cultura, que levado ao extremo, como no caso dos norte-americanos, assume uma dimensão dramática. Para eles a palavra “perdedor” é quase um palavrão. Isso gera distorções terríveis, bulling e tragédias como as vistas em escolas onde um estudante tido como derrotado, sentindo-se um pária vai à forra, armado, matando os auto definidos vencedores. Não precisamos, nem queremos chegar nisso. Penso que nosso maior desafio é cultivar um estilo de excelência, não aquela gerada por necessidades e estímulos externos, mas a excelência do prazer de ser melhor, de fazer mais tendo como referência o próprio sujeito e não necessariamente o outro. E isso, espero que aconteça não apenas com atletas, mas com todo profissional, cidadão, estudante que deseja um país melhor. 


SP35: Faz parte de seu trabalho acompanhar os jogos do São Paulo? 


 Katia Rubio: Eu sempre gostei muito de assistir jogos em estádio. A festa das torcidas, a entrada dos jogadores em campo, a vibração do gol, o comportamento dos torcedores, enfim, não há nada igual a isso. Quando não posso assistir o jogo em campo busco acompanhar tudo pela TV, inclusive para poder analisar o comportamento do jogadores, ou por vídeo tape. A tecnologia hoje nos auxilia muito em tudo isso. 


SP35: Você é casada há quanto tempo? Tem quantos filhos? 

Katia Rubio: Sou casada, tenho um filho de 20 anos e 4 enteados, filhos de meu atual marido. Um deles, o Mario, quando o conheci, tinha cinco anos. E claro, ele estava com uma bola de futebol na mão e eu perguntei a ele para que time ele torcia. Sem titubear ele respondeu: “Sou são paulino desde criancinha!” E isso não foi uma piada. 

SP35: Um dos maiores desafios da mulher é conciliar o trabalho e a família. Como fez para criar seu filho em meio a tanto trabalho e estudo? Foi difícil? Como você se analisa como mãe? 

Katia Rubio: Como diria Melaine Klein, penso que sou uma mãe suficientemente boa. Quando meu filho Toshihiro nasceu, eu estava no final do meu primeiro ano de faculdade de psicologia. E como minha família morava fora de São Paulo, Toshi me acompanhou em tudo: na faculdade, depois no trabalho, nos clubes que acompanhei, nas teses de mestrado e doutorado, em viagens de estudo para fora do Brasil. Desde cedo ele entendeu que a mãe dele era um pouco diferente da média. Talvez por isso ele seja um grande companheiro, tenha um grande respeito pelo meu trabalho, pelas minhas ausências. Penso que isso tudo foi importante para ele também. Hoje ele sabe que não existe nada fácil na vida. Que sucesso se constrói com trabalho. E que todo trabalho é digno. E o que mais minha família sente falta quando me ausento é da minha comida. Apesar do tempo escasso sou uma boa cozinheira. E uma forma de mimá-los é fazer, quando tenho tempo, os pratos que eles me pedem e isso pode ser uma polenta com frango ou um filet com molho de shitake. As refeições ainda são para nós um momento de confraternização. 

SP35: O que gosta de fazer quando tem um tempo livre? 

Katia Rubio: Ir ao CEAGESP aos sábados ou domingos, sem pressa, escolher ingredientes para um belo almoço. Receber amigos em casa e ouvir música. Música é para mim fonte de inspiração para meus textos acadêmicos. Muitas vezes uma frase ouvida me remete a coisas relacionadas com os atletas que estudo e atendo. E como canta Milton Nascimento: “Certas canções que ouço. Cabem tão dentro de mim. Que perguntar carece. Como não fui eu que fiz?”SP35: Qual a maior conquista de sua vida (profissional e afetivamente falando). 

Katia Rubio: Minha família e minha carreira. Não existe privilégio maior poder se trabalhar com aquilo que se gosta.