Encerrando o especial São Paulindas com as 10 matérias mais lidas do ano, agora é a vez de vocês conhecerem a matéria mais lida do ano feita pela Ana Carol Bacci. Confiram!

Boa tarde, queridos tricolores!

O mês de abril, mês das São Paulindas, está sendo muito comemorado por todos nós. Com muitas novidades e noticias, hoje publico uma entrevista exclusiva com a repórter esportiva da Tv Bandeirantes, Natalie Gedra.
Jornalista, 25 anos, Natalie se formou na Faculdade Cásper Líbero em 2007. Repórter esportiva das rádios Globo e CBN entre 2008 e 2010. Atualmente, repórter da TV Bandeirantes.
Você sempre quis ser jornalista?
Natalie: Sempre. Com exceção de um surto que eu tive na quarta série, quando coloquei na cabeça que eu queria fazer medicina… haha! Aí descobri que não tinha estômago pra tanto… E o engraçado é que todo mundo fala que na véspera do vestibular você acaba mudando de idéia, e a profissão que você sempre quis seguir vai pro espaço. Vi vários amigos passarem por essa crise, mas eu não. Sempre quis o jornalismo mesmo.
De onde surgiu a idéia de trabalhar como jornalista? Tem alguém da família que atua nessa área? 
Natalie: Ninguém… Nem amigos da família, nada. Acho que era pra ser mesmo! Sempre gostei muito de ler e escrever, então acabou sendo uma conseqüência disso. 
Desde pequena você gosta de futebol?
Natalie: Sim. Lá em casa a gente sempre gostou muito de futebol, mas demorou pra eu conseguir convencer meu pai que eu poderia ir a um estádio de futebol e sobreviver a essa experiência…
Se não fosse jornalista, que outra carreira você gostaria de ter seguido?  Já pensou em outra coisa?
Natalie: Então… Fora aquele surto de médica… hahaha! Nunca pensei em uma segunda opção, sabia? No vestibular da USP, eu prestei Ciências Sociais, mas não porque eu queria trabalhar como socióloga. Achei que se eu não fosse aprovada na faculdade que eu queria (a Cásper), fazer Ciências Sociais me ajudaria no jornalismo. Não adianta… Não consegui escapar do jornalismo!
Já aconteceu algo engraçado na sua carreira profissional? Conte para nós!
Natalie: Ah, já aconteceu muita coisa engraçada! Principalmente nas viagens que eu fazia pra cobrir jogos da Libertadores… Uma vez fomos para o México fazer São Paulo x Monterrey, e a cidade vivia uma onda de violência por conta do narcotráfico. Monterrey fica a duas horas da fronteira com o Texas, e por isso virou ponto estratégico. Fiz matéria sobre isso para a CBN, mas não vi nada mais grave nos dias que eu passei lá. Uma semana depois, abri um site de notícias mexicano e li que no hotel que eu tinha ficado hospedada, seis pessoas tinham sido sequestradas! Que bizarro… Poderia ser trágico, mas no fim acabamos dando muita risada, principalmente porque a gente brigou com um monte de gente daquele hotel! E no Peru, quando fui fazer São Paulo x Universitário, eu e o meu amigo Lozetti (repórter do Lance!), presenciamos um ritual de bruxaria na frente do estádio do Universitário… Foi engraçado demais! Três caras fantasiados rasgando e queimando fotos do time do São Paulo, com umas espadas na mão e gritando “cortem a mão” com uma foto do Rogério Ceni! Insenso, pétalas de rosa… A gente não acreditava! A imprensa local descobriu que éramos brasileiros e o Lozetti deu praticamente uma entrevista coletiva sobre o ritual de bruxaria (que chama chimaneria). A gente não acreditava…
Diferentemente do jornalismo esportivo, onde já há muitas mulheres se destacando, os clubes de futebol ainda são um universo essencialmente masculino (exceção feita à Patrícia Amorim, do Fla), a quê se deve isso? Será que ainda há um machismo dentro dos clubes ou será que a mulher só não alcançou altos postos nos clubes porque não tentou ocupar esse espaço ainda?
Natalie: Eu acho que é uma questão de tempo. Acho e espero! A mulher tem muito a acrescentar no trabalho de clubes. A Patrícia está fazendo um ótimo trabalho. E realmente é bem raro ver mulheres envolvidas desta forma nos clubes… No São Paulo conheço algumas. A Juliana Carvalho faz um trabalho muito legal com a comunicação do clube, assim como a Cinthia. A Ana Paula foi pro departamento jurídico… Enfim. De qualquer forma são poucas, e acho que é por isso que não vemos mais Patrícias Amorins atuando! Mas em um curto prazo, deveremos ter sim. 
Você já sofreu algum preconceito por ser mulher, gostar de futebol e trabalhar na área de esportes?
Natalie: Não digo preconceito… Digo que a mulher tem que provar muito mais, passa por um processo de desconfiança muito maior. Hoje, honestamente não tenho do que me queixar. Ninguém mais no dia a dia dos clubes me olha com desconfiança, muito pelo contrário. Sinto-me muito respeitada pelos colegas, e sei que eles observam meu trabalho.  Mas é um processo que toda mulher tem que passar. O homem conquista seu espaço com mais facilidade, isso é fato.
Qual entrevista que mais você gostou de fazer com certo jogador?
Natalie: Com jogador… Olha, entrevistar o Pelé pela primeira vez, cara a cara, foi demais! Fiz duas exclusivas com o Fernandão que repercutiram bem na época, por eu ter dado o furo da negociação com ele na época, e por ele não ter falado com mais ninguém. No âmbito de bastidores, o Juvenal me deu exclusivas importantes. Ele é um cara difícil de contactar, era sempre uma vitória! E fazer uma exclusiva com o presidente da Conmbeol Nicolás Leoz lá no Paraguai também foi demais.
Você tem preferência pelo futebol ou gostaria de trabalhar com outros esportes?
Natalie: Agora que eu estou na Band eu consigo trabalhar mais com outros esportes, e adoro! Aliás, uma das entrevistas mais desafiadoras que eu fiz foi com o Ricardinho, do vôlei. Ele é um gênio, muito inteligente, excelente personagem, e um cara que fez história, né. Os atletas dos outros esportes costumam ser mais acessíveis, mais solícitos. É muito gostoso fazer matérias de outras modalidades.
O que você acha desse espaço feminino que vem crescendo cada dia mais no esporte?
Natalie: Eu acho ótimo, e torço pra que cada dia mais surja mulheres que possam acabar de vez com esse estigma masculino no esporte. O meio é complicado, é maldoso, muitas vezes está mais interessado na sua vida pessoal do que no trabalho que você desenvolve, mas as meninas têm que saber se impôr. Tem que demonstrar postura e manter o foco no trabalho. Tenho certeza que existe espaço pra qualquer mulher que realmente mostre competência.
Ter sido eleita a revelação do jornalismo em 2010, realmente não é para qualquer um. Como se sentiu ao saber que foi a escolhida?
Natalie: Nossa, nem me fala! Acho que até hoje eu não acredito direito, haha! O prêmio da Aceesp é muito tradicional, e eu fui escolhida pelos meus colegas de trabalho… Quer reconhecimento melhor do que aquele que vem das pessoas que eu mais respeito? Poxa, nem sei te dizer como eu fiquei feliz! Quem me entregou o prêmio foi a Regiani Ritter, precurssora de todas as mulheres no esporte, e coincidentemente minha primeira chefe! Falou coisas lindas… E quem me chamou no palco foi o Tiago Leifert. Fui estagiária da Globo em 2007, e conheci ele quando ainda era repórter do Sportv. Poxa, ele disse cada coisa legal sobre mim lá no microfone… Me derrubou completamente! Novamente, nem sei te dizer como eu fiquei feliz.
Recentemente você fez uma matéria sobre “Rogério Ceni 100 gols” na Band, como foi fazer esse especial? Sentiu também a emoção que todos nós São Paulinos sentimos?
Natalie: Essa especial é um filho pra mim! Eu bolei as pautas de todas as matérias da especial, e me envolvi demais fazendo. Achei que eu ia deixar o produtor, o Wagner, e o editor, o André Linares, loucos com ela! Mas eles foram sensacionais, e o meu chefe me deu o maior respaldo, mandou a gente pra Sinop… Estávamos falando de entrevistas favoritas agora há pouco, né? Pois a entrevista com o pai do Rogério foi com certeza uma das minhas favoritas. Ele é demais, mesmo! E a série ficou do jeitinho que eu queria. Sim, eu me emocionei fazendo a série. E sou fã do Rogério. A dedicação e a obstinação que ele tem… Pra quem acompanha o dia a dia é impossível pelo menos não respeitá-lo.  
Mande dicas ou conselhos a quem deseja seguir nessa carreira de jornalista.
Natalie: Ai… Sempre quando me pedem dicas, eu respondo que eu sou muito nova pra aconselhar qualquer um! Mas trabalhem muito! O meio é concorrido mesmo, e você tem que ralar. E meninas, não desistam, nem se intimidem!
Natalie foi muito querida ao aceitar e fazer a entrevista! Em seu twitter (@ngedra), ela publicou as cinco matérias que fez sobre o centésimo gol de Rogério Ceni, vale à pena assistir! Ficou show de bola!

Parte 5: http://videos.band.com.br/Exibir/Confira-a-5-e-ultima-parte-da-serie-100-vezes-Rogerio-Ceni/2c9f94b52f0e826c012f11b68d8900f8  

Espero que tenham gostado da entrevista, tricolores! Comentem aqui e sigam-me no twitter: @anacarolbacci.
Uma São Paulina apaixonada!