Bom dia, amados Tricolores!

Hoje vou falar sobre um jogo absolutamente inesquecível do São Paulo: a conquista do primeiro Mundial Interclubes. Como São Paulina fanática que sou, muitos jogos foram inesquecíveis para mim, mas esse, mesmo tendo ocorrido há 18 anos, é de longe o mais emblemático. É incrível como me lembro de cada detalhe!

Era noite do dia 12 de dezembro de 1992 quando eu, com apenas 11 anos, me recusava a ir dormir porque queria ficar acordada até a hora do jogo, que seria disputado de madrugada. Meu pai não me deixou ficar acordada e me colocou na cama para dormir, prometendo me acordar no horário do jogo. Fiquei lá, na cama, no escuro, viajando nos pensamentos e acendendo a luzinha do relógio digital a todo momento, contando as horas… O tempo não passava! Não podia fazer muito barulho e nem acender a luz porque minha irmã, na época com apenas três aninhos, dormia no mesmo quarto que eu, e eu não podia acordá-la. Então fiquei lá, quietinha, até dar a hora em que meu pai me acordaria para assistir o jogo. Eu estava ansiosa e com medo do meu pai não me acordar, já que ele nunca gostou de futebol e não achava muito “normal” uma menina gostar tanto desse esporte e ser tão fanática por um time.

Na minha cabecinha passavam mil coisas. Pensava em como seria o dia seguinte caso o São Paulo realmente se sagrasse campeão do mundo! Calaria a boca de todos os meus amigos corinthianos e palmeirenses, que diziam ser impossível o Tricolor vencer o Barcelona, e eu encheria a boca pra dizer: “O meu time é o melhor do mundoooo!” Mas como seria se o São Paulo perdesse? O que teria que ouvir daqueles invejosos? Como eu estaria me sentindo logo após o jogo? Com certeza choraria muito. Aliás, essa era a única certeza que tinha. Choraria muito de qualquer jeito: choraria de tristeza se o São Paulo perdesse, mas também choraria de alegria se o Tricolor ganhasse!

Finalmente chegou a hora do jogo! Meu pai foi me “acordar” e eu fingi que estava mesmo dormindo quando ouvi os passos dele chegando perto da porta do quarto. Fui para a sala, sentei no sofá e meu pai deitou no chão, em cima de um tapete bem fofo que havia na sala de casa e onde meu pai adorava se deitar para ler o jornal do dia. Mal havia começado o jogo e ele já estava dormindo. E eu lá, sentadinha, vendo o jogo.

Logo no início da partida, o Barça já marcou seu primeiro gol. Fiquei apreensiva, mas ainda no primeiro tempo o Tricolor já arrancou o empate, com aquele gol do Raí que até hoje não se sabe se foi de peito ou de barriga. Ótimo, mas ainda precisávamos de mais um gol. Levar aquele jogo para uma prorrogação ou uma disputa de pênaltis seria um péssimo negócio! Tempos depois descobri que Cerezo e Ronaldo entraram em campo contundidos e que Palhinha, guerreiríssimo como sempre, havia passado toda a véspera do jogo com febre. Estas descobertas só fizeram confirmar aquilo que eu já achava na época: o São Paulo merecia muito vencer aquele jogo! Seria a consagração de um time que entrou para a história, tamanha eficiência e qualidade técnica, e que motivou o surgimento do adesivo que estava presente em milhares de vidros de carros e dizia “Torcer para o São Paulo é uma grande moleza”, frase esta de autoria do jornalista Milton Neves.

A agonia do empate perdurou até o fim do segundo tempo, quando Raí nos proporcionou uma cena até então inédita, pelo menos para mim: o sorriso de Telê à beira do campo ao ver o golaço de falta do craque tricolor. A bola entrou no ângulo da meta do então goleiro do Barça, Zubizarreta. Um verdadeiro golaço, digno de uma final de Mundial. Este gol também decretou o fim do sono do meu pai, que acordou com o meu grito de gol e daí para a frente se manteve acordado, assistindo ao fim da partida.
No final do jogo, as arquibancadas estavam em festa! O tradicional “Ai ai aiai, tá chegando a hora…” tomou conta do Estádio Nacional de Tóquio. E assim que soou o apito do juiz, teve início um verdadeiro Carnaval. Torcedores invadiram o gramado e transformaram-no num verdadeiro mar tricolor. Minhas inevitáveis lágrimas, felizmente de alegria, correram pelo rosto.

E foi assim que os heróis dessa consquista, Zetti, Vítor, Adílson, Ronaldão e Ronaldo Luís; Pintado, Toninho Cerezo e Raí; Cafu, Müller e Palhinha foram alçados a eternos ídolos tricolores e escreveram seus nomes na história do nosso São Paulo e do mundo.

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Ps. Postagem sendo reproduzida novamente, por ter sido a 2ª matéria mais lida nos especiais de dezembro.