A noite era de festa. Era a oportunidade da torcida tricolor comemorar com o capitão artilheiro Rogério Ceni sua marca histórica de 900 jogos pelo time do São Paulo.

Uma surpresa foi preparada para homenagear tão importante feito. 20 mil bandeiras nas 3 cores do time foram confeccionadas e a intenção era montar um grande mosaico formando RC 900 nas arquibancadas azuis. Uma equipe foi responsável para demarcar o local dos dizeres e deixar tudo preparado para que os torcedores chegassem, pegassem a bandeira que estivesse em seu lugar e levantassem essa bandeira na entrada do time em campo. Na teoria tudo muito simples e lindo.

Mas os torcedores foram chegando, pegando suas bandeiras (alguns escolhendo pela cor que mais agradava) e sentando no lugar de escolha. Ou seja, virou uma bagunça, o mosaico não saiu, mas a visão de tantas bandeiras sendo balançadas na entrada do time em campo foi bonita do mesmo jeito, o resultado final foi o que realmente importou.

Resolvi contar toda essa história para fazer uma comparação com o time do São Paulo nesta terça-feira.

A festa estava pronta, o time adversário era fraco, a classificação estava praticamente garantida. Na teoria perfeito.

Mas o time entrou em campo de forma extremamente bagunçada. Cada um indo para um lado, sem planejamento nenhum, sem entrosamento nenhum. Não foram poucas as vezes que pensei: “Nossa.. será que esses jogadores não se conhecem?” “Poxa, mas não treinam juntos todos os dias?” “Será que estão treinando futebol no playstation?”

A impressão que tive em vários momentos era de que cada um queria fazer um jogo individual, como se estivesse com a batata assando e tendo que mostrar serviço desesperadamente. Em outros momentos vi jogadores sem saber o que fazer com aquele objeto redondo chamado bola de futebol em seus pés.

E foi assim nos 90 minutos regulamentares. Vieram os pênaltis.

Rogério tinha a chance de além de comemorar seus 900 jogos também comemorar seus 90 gols. Não aconteceu.

Mas afinal, aquela festa toda armada era pra ele ou não? Sim, e ele demonstrou mais uma vez porque merece toda essa “pompa”. Defendeu 2 pênaltis e mais novamente foi o responsável por uma grande conquista do tricolor paulista, uma importante classificação. E o que importou foi o resultado final.

O time não viu o mosaico da torcida e a torcida não viu um espetáculo do time. Estamos quites.

Estamos vivos.

Gisleine Bedendo, 30 anos, fisioterapeuta, são-paulina roxa e corneteira de plantão.